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REPORTAGEM

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Parceira do Santos é alvo de inquérito da PF. Clube vê análise criteriosa

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Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

04/12/2021 04h00

Após sofrer uma série de denúncias, a Binance, nova patrocinadora do Santos, é alvo de uma apuração em conjunto do Ministério Público Federal de São Paulo e da Polícia Federal.

As denúncias foram feitas pela ABCripto (Associação Brasileira de Criptoeconomia) para diferentes órgãos. A entidade diz que a parceira do Santos atua de maneira irregular no país.

Procurada pela coluna, a assessoria do MPF confirmou que recebeu a representação da associação contra a Binance.

"A representação (denúncia) da ABCripto de fato foi recebida pelo MPF e foi juntada a um inquérito policial que está sob sigilo, portanto não podemos fornecer mais informações", informou a assessoria do Ministério Público Federal.

As acusações contra a empresa preocupam conselheiros do Santos, mas não o Comitê de Gestão do clube.

"Para assinar com qualquer patrocinador, o Santos FC realiza uma análise criteriosa pelo departamento jurídico. Isso ocorreu com a Binance e foi aprovado o patrocínio", diz nota enviada ao blog pela assessoria de imprensa do Santos.

O departamento de relações públicas da Binance não respondeu ao e-mail enviado pela coluna sobre o assunto até conclusão deste post.

Além de estampar sua marca na camisa do Peixe, a Binance passou a ser licenciada para vender Fan Tokens e FNT (Token não-fungível) da agremiação.

Nota divulgada pelo Santos no último dia 26, diz que a parceria "renderá, inicialmente, 10 milhões de dólares ao clube e a marca estará estampada na camisa do time pelos próximos três anos".

A empresa foi apresentada pelo Santos como maior corretora de ativos digitais do mundo.

A ABCripto também denunciou a Binance para o Banco Central, para a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e para a Senacom (Secretaria Nacional do Consumidor).

Em julho de 2020, a CVM divulgou nota informando que a Binance não tem autorização para captar clientes no Brasil com oferta pública de serviços de intermediação de valores imobiliários.

Além de apontar que a nova patrocinadora do Santos não tem autorização para atuar no Brasil, Rodrigo Monteiro, diretor-executivo ABCripto, diz que a associação recebeu centenas de queixas de consumidores contra a empresa.

Segundo Monteiro, como não está regularizada para atuar no Brasil, a Binance não cumpre as obrigações previstas na legislação e que são cumpridas por outras empresas do setor, como o pagamento de tributos. Assim, obtém lucro maior.

No entanto, ele diz que a associação não está em guerra contra a parceira do Santos.

"Queremos que ela atue nas mesmas condições que todos atuam, seguindo as mesmas normas", afirmou Monteiro.