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REPORTAGEM

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Perrone: O que Renato Gaúcho precisa melhorar até a final da Libertadores

Renato Gaúcho é xingado por torcedores do Flamengo em derrota para o Athletico-PR na Copa do Brasil - Reprodução/TV Globo
Renato Gaúcho é xingado por torcedores do Flamengo em derrota para o Athletico-PR na Copa do Brasil Imagem: Reprodução/TV Globo
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Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

28/10/2021 08h30

Para bater o Flamengo por 3 a 0 nesta quarta (27) e chegar à final da Copa do Brasil, o Athletico-PR repetiu o que fez o Fluminense ao ganhar o clássico contra o time da Gávea por 3 a 1, no último sábado. Explorou com eficiência manjadas deficiências do adversário.

As fraquezas flamenguistas são visíveis como uma fratura exposta. É preciso concentração e alto índice de acerto para explorá-las. Porém, mais uma vez, ficou provado que é possível engolir um dos times mais fortes do país mesmo com menos qualidade individual em campo.

Marcão e Alberto Valentim reforçaram para o palmeirense Abel Ferreira o caminho das pedras para derrotar o Flamengo na final da Libertadores.

A receita é tão antiga quanto a do bolo de fubá da sua avó: fechar os espaços na defesa e contra-atacar com rapidez. Abel adora jogar assim.

Cabe agora a Renato Gaúcho trabalhar para eliminar os prontos fracos de seu time até a decisão continental, em 27 de novembro.

Uma das principais missões é aumentar a velocidade da transição do ataque para a defesa. Mas não se trata só de rapidez. O movimento precisa ser feito com organização.

Fluminense e Atlhetico aproveitaram a lentidão e a desorganização defensiva do Flamengo para criar chances de gol. Não foi à toa que nos últimos três jogos a equipe de Renato levou oito gols. Quase sempre com a mesma cena: defensores desesperados correndo atrás de atacantes sem conseguir alcançá-los.

Os gols sofridos teriam menos impacto se o ataque rubro-negro não desperdiçasse tantas chances.

Quando seus adversários deixam de marcar a saída de bola e se encolhem na defesa, sobra espaço para a armação das jogadas. A construção ofensiva não é um problema para o Flamengo. Mas a finalização é. E como.

Na derrota para o Fluminense foram 17 arremates, segundo o Footstats. Apenas cinco deles certos. Índice de acerto de 29,4%.

Contra o Furacão o desempenho melhorou consideravelmente, mas, ainda assim foram 12 conclusões fora do alvo em 23 tentativas (índice de acerto de 47,8%). Aqui vale ressaltar a atuação de gala do goleiro Santos no segundo jogo da semifinal da Copa do Brasil.

Em suas duas últimas partidas, o Flamengo fez 30 arremates e apenas um gol.

Renato terá que trabalhar muito a pontaria de seus jogadores para a final da Libertadores. Para isso, o treinador precisará controlar a ansiedade dos atletas na hora de finalizar.

Muitas vezes, eles tomam a decisão errada e tentam o chute de longe em vez de trocar passes e invadir a área adversária em busca de uma posição de tiro melhor. Mobilidade e habilidade para costurar as defesas rivais o Flamengo possui de sobra.

Renato tem um trabalho duro para fazer na parte emocional do time. A maioria de seus jogadores está acostumada a decisões. Mas, se o clima não mudar até o confronto com o Palmeiras, será a primeira com parte da torcida revoltada com o time. Não é só com o treinador, que, além de dar tranquilidade aos atletas tem o desafio de comandar a reconstrução da relação com os torcedores. Isso passa por corrigir erros e voltar a vencer no Brasileirão.