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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Perrone: Sylvinho confirma suas deficiências ao explicar derrota

Sylvinho, técnico do Corinthians, durante duelo com o Sport, pelo Campeonato Brasileiro - Rodrigo coca / Ag. Corinthians
Sylvinho, técnico do Corinthians, durante duelo com o Sport, pelo Campeonato Brasileiro Imagem: Rodrigo coca / Ag. Corinthians
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Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

10/10/2021 08h43

Justificativas de Sylvinho para a derrota do Corinthians por 1 a 0 diante do Sport no último sábado (9), em Recife, confirmam algumas das deficiências do treinador.

Ao tentar se defender da demora para mexer no time, o técnico entregou suas falhas na escalação e na leitura de jogo.
"As substituições não são uma regra. 'Tem que substituir com 45 minutos, com 22, com 30'. Você tem que substituir quando o time precisa, quando você vê a necessidade. Qual é a necessidade? É velocidade? Nós jogamos contra um adversário que tem a terceira melhor defesa do campeonato, que dava pouco espaço em profundidade, então isso dificulta, ele tira a velocidade do jogo. Em vez de marcar para frente, ele marca para trás, marca o espaço, dificulta muito mais, é uma forma que tem. Nossas escolhas foram um pouco em cima daquilo que nós vimos do adversário e as saídas que nós tínhamos em campo. Não existe uma regra, existe a necessidade que o time tem para fazer a substituição.
Ou seja, Sylvingo demonstrou que sabia que o Sport tentaria impedir sua equipe de jogar com velocidade. E o que ele fez? Levou a campo sua versão mais lenta, com Jô no ataque.
O técnico defende o indefensável ao dizer que não há uma regra para definir o tempo das substituições, mas, sim, a necessidade de mudança.
O Corinthians passou o primeiro tempo inteiro precisando de mais velocidade, porém, o treinador só mudou o time depois da metade da etapa final. Aos 25 minutos, ele colocou Gustavo Mosquito no lugar de Cantillo. Aos 26 minutos, Jô saiu para a entrada de Adson.
Conclusão, Sylvinho sabia que precisaria tentar acelerar o jogo, mas demorou para fazer isso. Ele já poderia ter começado a partida com Gustavo ou Adson, mas optou por Jô, um jogador útil, porém, mais lento.
O treinador afirmou que sabia que enfrentaria um adversário que dá pouco espaço para seu oponente jogar em profundidade. Mesmo assim, escalou Jô, que depende basicamente dos cruzamentos para participar do jogo.
Sylvinho defendeu o atacante, mas, nesse caso, quem precisa encontrar uma defesa é o técnico. Jô atuou dentro de suas características. Já o treinador quebrou a velocidade de seu time na circulação de bola ao optar por um centroavante de pouca mobilidade.
Se Sylvinho entendeu que Mosquito não deveria começar jogando no lugar de Willian, que apresentou desconforto muscular, porque teria dificuldade para jogar em profundidade, demorou demais para descobrir que estava errado.
Com Jô, o Corinthians perdeu duas de suas principais armas. A troca rápida de passes e de posições entre meias e atacantes.
Por tudo isso, sem perceber, Sylvinho demonstrou didaticamente porque mereceu ser criticado pelo desempenho do time contra o Sport.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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