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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Perrone: Subir premiação do Brasileiro Feminino é questão de justiça

Jogadoras do Corinthians comemoram a conquista do título do Campeonato Brasileiro Feminino após vitória sobre o Palmeiras - ANDRÉ ANSELMO/ESTADÃO CONTEÚDO
Jogadoras do Corinthians comemoram a conquista do título do Campeonato Brasileiro Feminino após vitória sobre o Palmeiras Imagem: ANDRÉ ANSELMO/ESTADÃO CONTEÚDO
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Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

27/09/2021 10h48

Aumentar a premiação paga no Campeonato Brasileiro Feminino não é apenas uma questão de combater a desigualdade de gêneros na modalidade no Brasil. É também fundamental para que a evolução técnica continue ou pelo menos se mantenha. E o produto oferecido pelos principais clubes é maduro, vale mais do que o retorno em premiação.

Como mostrou o UOL Esporte, o Corinthians recebeu R$ 290 mil por conquistar o seu terceiro título nacional.

A premiação, acumulada em todas as fases da disputa, equivale a 0,87% dos R$ 33 milhões oferecidos ao campeão brasileiro no masculino.

O Palmeiras, derrotado no segundo jogo da decisão pelo rival por 3 a 1, no último domingo (26), levou R$ 190 mil.

Os valores não acompanham a necessida de investimento que o futebol feminino de alto rendimento exige.

A categoria cobra a mesma estrutura e profissionais do masculino: fisioterapeutas, fisiologistas, nutricionistas, analistas de desempenho e médicos, entre outros. Todos precisam de equipamentos de ponta para trabalhar. Não é barato.

Os principais times possuem jogadoras que têm mercado no exterior. Mantê-las ficará mais caro em caso de propostas.

A goleira Lelê, da seleção brasileira, é um exemplo. Trocou o Corinthians no início do ano para defender o Benfica. Com a receita que os times femininos brasileiros têm é difícil concorrer com os clubes estrangeiros.

Para evoluir mais, o futebol feminino precisa incrementar seus investimentos nas categorias de base. Isso não custa menos do que no masculino.

O discurso de que o futebol entre mulheres no Brasil precisa gerar mais interesse para merecer melhores receitas sofreu um forte abalo com o dérbi na final do Brasileiro.

O confronto entre os rivais teve ampla cobertura da mídia e transmissão na Band, que mostrou a competição desde o início, no SporTV e no Tik Tok da CBF. Ou seja, existe interesse comercial. As redes sociais mostram que a modalidade tem um público fiel. E alguém duvida que, se não fosse o veto a público nos estádios por conta da pandemia, Allianz Parque e Neo Química Arena teriam recebido grande público nas finais?

A qualidade mostrada por Corinthians e Palmeiras e outras equipes durante o campeonato também é digna de um retorno financeira melhor.

Ou seja, aumentar a premiação distribuída no Campeonato Brasileiro Feminino não seria um favor da CBF. É uma questão de justiça.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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