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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Perrone: Semifinal testa estratégia de time 'bilionário' do Atlético-MG

Hulk, atacante do Atlético-MG - Pedro Souza/Atlético-MG
Hulk, atacante do Atlético-MG Imagem: Pedro Souza/Atlético-MG
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Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

21/09/2021 04h00

Nesta terça (21), na primeira partida contra o Palmeiras pelas semifinais da Libertadores, o Atlético-MG coloca à prova um elenco que ele mesmo avaliou em junho, antes de trazer Diego Costa, em quase R$ 1 bilhão.

Em jogo também está a tese da diretoria atleticana para justificar a montagem de um time caro. Trata-se do histórico argumento de que o aumento do investimento em reforços de qualidade gera incremento de receitas com premiações mais robustas.

Tal estratégia está estampada no "relatório econômico-financeiro de desempenho do primeiro semestre de 2021", divulgado pelo clube em seu site.

"Realizamos investimentos importantes na aquisição de atletas nos últimos 12 meses, conforme cronologia a seguir. Ainda que acompanhados de aumento de custos no futebol, os resultados desses investimentos podem ser considerados muito positivos e promissores", diz trecho do documento.

O relatório também afirma que "a boa performance esportiva trouxe ótimos resultados econômicos-financeiros e impulsionou a valorização do nosso elenco".

A seguir, o documento indica que em junho o elenco do Atlético-MG valia R$ 930 milhões. Segundo o relatório, a avaliação foi feita pelo centro de inteligência de mercado Galo.

São apontadas no primeiro semestre as contratações de Hulk, Dodô, Nacho Fernández e Tchê Tchê. Diego Costa não aparece na lista porque foi contrato em agosto. Ou seja, o valor do elenco calculado pelo clube já cresceu.

Também é registrado um investimento de R$ 102 milhões em aquisições de jogadores, mas não está claro em qual período.

Ainda segundo o documento, as receitas do Galo com seu departamento de futebol no primeiro semestre de 2021 representam um aumento de 138% em relação aos seis últimos meses de 2020.

Porém, como mostra o relatório, a arrecadação em 2021 foi turbinada por R$ 39.466.000 relativos às verbas referentes ao Brasileirão de 2020, que terminou no ano seguinte.

A lista de resultados esportivos apresentados em 2021 a partir dos pesados investimentos não traz títulos.

A relação é composta por terceiro lugar no Brasileirão de 2020, já que o encerramento da competição foi em 2021, primeiro lugar geral na fase de grupos da atual Libertadores, classificação para as semifinais do torneio continental e para as quartas de final da Copa do Brasil (o time já avançou às semifinais).

Nesse cenário, passar pelo Palmeiras e chegar à final da Libertadores já seria o principal feito de um elenco praticamente bilionário pelos cálculos do clube.

Consequentemente, disputar a final do principal torneio do continente também seria um argumento de peso para a tese da diretoria de que o investimento no time ajuda a gerar mais receitas. A Conmebol dará mais US$ 6 milhões (cerca de R$ 31,9 milhões) para o vice-campeão e mais US$ 15 milhões (aproximadamente R$ 79,9 milhões) ao campeão, além da premiação nas outras fases.

Para a torcida, dificilmente haverá argumento mais convincente do que a disputa do título continental.

Mas, a experiência nos mostra que a saúde financeira de um clube se mede no decorrer dos anos e não depende apenas da conquista de títulos. Vale lembrar que a dívida do Galo já bateu na casa de R$ 1,3 bilhão.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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