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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Perrone: Transformar Volpi em vilão só esconde problemas do São Paulo

Tiago Volpi falhou no primeiro gol da derrota do São Paulo diante do Fortaleza, na Copa do Brasil - Reprodução/Rede Globo
Tiago Volpi falhou no primeiro gol da derrota do São Paulo diante do Fortaleza, na Copa do Brasil Imagem: Reprodução/Rede Globo
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Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

16/09/2021 11h33

A pior coisa que pode acontecer para o São Paulo neste momento é eleger Tiago Volpi como responsável pela eliminação nas quartas de final da Copa do Brasil na derrota por 3 a 1 para o Fortaleza, nesta quarta (15).

Transformar o goleiro no malvadão da história só irá encobrir os problemas do São Paulo.

A questão é mais ampla e até certo ponto simples. O Tricolor paulista perdeu porque o Fortaleza é um time que tem jogado melhor, embora tenha um elenco mais barato.

Ou seja, não foi um erro individual, um lance anormal que tirou o time de Crespo da Copa do Brasil. Foi um adversário superior. O exercício são-paulino é entender como o rival faz mais com menos dinheiro.

O time cearense controlou praticamente todo o jogo no Ceará, mesmo tendo menor posse de bola (37%, segundo o Sofascore). Foi mais agressivo (fez 14 finalizações contra 9 do adversário), objetivo, atento e teve melhor movimentação.

A equipe de Vojvoda entrou para disputar uma final, enquanto os comandados de Crespo pareciam estar na primeira rodada do Campeonato Paulista.

O primeiro gol, justamente o que teve uma falha clara de Volpi, mostra bem tudo isso.

Pressionado pela marcação eficiente do adversário, Liziero tentou um passe longo, da ponta da área para o meio.

Congele o lance no momento do passe. Liziero tinha um companheiro livre à sua direita na lateral, que talvez fosse uma opção melhor. Mas preferiu esticar a bola, sem nenhuma proteção, para Benítez, vigiado por Ronald.

Segue o jogo, Benítez não consegue dominar a bola e a perde para Ronald. O são-paulino poderia ter se movimentado para encurtar a distância do passe e dificultar a antecipação do adversário. Só que Benítez dormiu no ponto. Ronald avança e finaliza. O chute era defensável, mas Volpi falhou.

Percebeu quantos erros do São Paulo e quantos acertos do Fortaleza numa só jogada? Foi assim quase que o jogo inteiro.

Quando isso acontece, exaltar o treinador vencedor e criticar o perdedor é óbvio. Os méritos de Vojvoda passam por ter conseguido motivar seus atletas para disputar uma decisão, implantar uma marcação eficiente e ajustar o posicionamento de seus jogadores.

Os erros de Crespo e sua comissão técnica começam por não recuperar ou substituir Volpi, que já vinha falhando. Se ele não tem um reserva à altura, é tarde demais para essa descoberta.

Crespo também falhou por não conseguir salvar seu time da armadilha dos contra-ataques preparada pelo Fortaleza no segundo tempo. Isso não tira a responsabilidade jogadores. A maioria jogou menos do que pode.

Nesse cenário, a diretoria não tem outra saída a não ser entender como pode ajudar Crespo a fazer o São Paulo render mais do que times montados com menor orçamento. Para isso, precisa detectar e corrigir seus próprios erros.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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