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REPORTAGEM

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Palmeiras: Giannini se candidata e diz que dívida com Crefisa preocupa

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Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

14/09/2021 04h00

Em entrevista ao blog, o conselheiro Mario Giannini, 67 anos, afirmou que decidiu se candidatar à presidência do Palmeiras, enfrentando a situacionista e patrocinadora do clube Leila Pereira. Ele diz que seu principal objetivo é proteger o Alviverde, seu estatuto e, sobretudo, o associado.

Seu nome ganhou musculatura no mês passado. Costuras feitas no último sábado (11) o deixaram perto de ser o único candidato da oposição.

Savério Orlandi, opositor que pretendia se candidatar, decidiu sair do páreo e apoiar Giannini após ouvir a confirmação de que o colega de Conselho Deliberativo seria candidato. Savério defende uma candidatura única da oposição.

Porém, um dos grupos oposicionistas, o Ocupa Palestra, já decidiu que não irá apoiar Giannini. A justificativa é o fato de ele ter sido diretor de futebol de Mustafá Contursi. A ala se opõe ao ex-presidente. O grupo Academia, tem alguns conselheiros que ainda não se decidiram principalmente por rejeição a Mustafá.

Giannini se fortaleceu por ter feito uma disputa equilibrada com o situacionista Seraphim Del Grande pela presidência do Conselho Deliberativo, em junho. Após ser incentivado pelo ex-presidente Arnaldo Tirone, de quem foi vice-presidente, ele se candidatou e perdeu por 15 votos.

"No fundo a gente não perdeu para o Seraphim, a gente perdeu para eleitores nossos que não foram votar. Pelo menos a gente conseguiu mostrar que existe oposição. Só que aí não parou a história. Vários conselheiros que votaram em mim, que a gente conhece do clube, associados, disseram: 'você foi muito bem votado, não podemos deixar o Palmeiras na situação em que está. Você precisa ser candidato'", contou Giannini.

"Eu falei: 'vou consultar principalmente as oposições para ver o que acham'. E a gente acabou fazendo uma frente de oposição, que hoje o próprio Mustafá falou que está apoiando porque confia em mim", completou o opositor.

Em seguida ele falou dos argumentos que usou para tentar unir a oposição em torno de uma candidatura.

"Principalmente porque a Crefisa (presidida pela candidata da situação) é credora do Palmeiras. Nós temos nossa verba de patrocínio, que é 1x, e temos de dívida com a Crefisa 2x. Então, isso preocupa. Além disso, está chegando aí a SAF, Sociedade Anônima do Futebol. Então nós precisamos proteger o estatuto. Como eu vou proteger o estatuto? Chamando o associado e dizendo que está na hora de eles resolverem porque agora não se trata de todos a favor ou todos contra. Nós estamos em defesa da instituição, de suas origens. O conselheiro representa diversas correntes internas e o nosso interesse era juntar as oposições. Nós, associados, torcedores e conselheiros até juramos defender o Palmeiras. E é minha obrigação fazer isso", afirmou Giannini.

De acordo com o balanço do Alviverde referente a 2020, o clube devia para a patrocinadora master em dezembro R$ 161 milhões "devidamente lastreados com ativos de jogadores (contratos a vencer em 2022 e 2023)". O débito é relativo a dinheiro emprestado para a contratação de atletas.

O balanço mostra que em 2020 o Palmeiras arrecadou com todos seus contratos de patrocínio e publicidade R$ 120.859.000.

Além da Crefisa, Leila e seu marido, José Roberto Lamacchia são donos da FAM, que também estampa sua marca no uniforme palmeirense .

Giannini afirma que sua chapa, com quatro vices, está praticamente formada, mas não quis revelar quem são os integrantes.

"Só não vou mostrar os nomes agora porque, do outro lado, a dona Leila se reservou ao direito de não colocar os nomes também. Mas eu garanto pra você que o associado vai gostar muito", disse ele.

Indagado sobre como é enfrentar uma adversária situacionista amplamente favorita, Giannini ressaltou a importância da velha guarda palmeirense. Ele e Mustafá, alvo de rejeição de ao menos parcela dos sócios mais jovens, fazem parte desse grupo.

"O Palmeiras é uma instituição secular, fundada em 1914, teve grandes lutas, tantas brigas, tantas encrencas, lutou para conquistar o que tem por meio dessas pessoas que hoje chamam de gente velha, da idade da pedra. Mas (o Palmeiras) só existe por causa deles. Se eles não existissem não teria Palmeiras hoje. Passamos por muitos problemas na instituição e nesses momentos apareceram as pessoas que falaram: 'se precisar de mim, estou aqui. E quem vai votar em mim vai ser o associado que conhece a história. Não vou ficar malhando em ferro frio com o conselheiro porque o conselheiro sabe o que estou falando", afirmou Giannini.

Ele explicou o que quer dizer quando fala em proteger o Palmeiras. "O conselheiro fez um juramento de proteger o Palmeiras. Não estou dizendo proteger contra a dona Leila. Não, nós precisamos proteger através do estatuto", argumentou.

Um dos seus pontos é preparar o estatuto e o clube para uma transformação em SAF no futuro. O candidato entende que em algum momento todos os clubes seguirão esse caminho. "Ela vem de qualquer jeito, não sei se é mais tarde ou se é mais cedo. Mas a defesa do associado tem que ser garantida. Eu vou defender a propriedade da Sociedade Esportiva Palmeiras. E a maior propriedade, além da torcida, é o sócio pagante", argumentou.

Sobre a disputa com Leila, Giannini afirma saber que vai ser difícil "porque a máquina lá é forte, mas eu preciso dizer: 'eu defendi o Palmeiras'".

O candidato entende ser cedo para detalhar seu projeto. "Estou deixando para entregar na última hora. Mesmo porque o projeto que eu entregar agora eu sei que vou ser superado porque a máquina do lado de lá vai mudar o projeto e fazer outra coisa também. Prefiro ficar calado", explicou o opositor.

A eleição será em novembro. Cada chapa precisa do apoio de 15% do Conselho Deliberativo. Quem passa pelo filtro participa do pleito com votos dos associados.

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