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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Perrone: Brasil paralímpico não reflete vida de brasileiro com deficiência

Medalhas dos Jogos Paralímpicos de Tóquio - Miriam Jeske/CPB
Medalhas dos Jogos Paralímpicos de Tóquio Imagem: Miriam Jeske/CPB
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Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

05/09/2021 13h24

Com recorde de medalhas de ouro (22), melhor marca de pódios conquistados (72) e de colocação (7°) no quadro de medalhas igualadas, o Brasil se manteve como potência paralímpica em Tóquio.

Quem não vive por essas bandas e acompanhou a competição japonesa deve achar que o país é um bom lugar para pessoas com deficiência viverem.

Uma referência em termos de acessibilidade, oportunidades de trabalho e combate ao preconceito.

Pensar assim, seria como cair numa propaganda enganosa. A força paralímpica brasileira não espelha um país que dá, em níveis satisfatórios, conforto, segurança e oportunidades para seus cidadãos com deficiência.

O que se se vê nas competições não é refletido nas ruas. Basta você pensar no seu bairro ou no seu local de trabalho. Tudo é adaptado para pessoas com deficiência?Ao seu redor, indivíduos com deficiência não são vítimas de preconceito?

Sem dúvida, o Brasil melhorou muito nas últimas décadas em termos de oferecer acessibilidade e postos de trabalho para pessoas com deficiência. Mas os avanços foram a passos de tartaruga.

O sucesso paralímpico, que tem a ver com investimento do governo federal, deveria ser usado pelo poder público para ajudar nesse processo. É preciso transformar as medalhas em combustível para que o país seja um local confortável, justo e sem preconceito para as pessoas com deficiência.

Os governantes precisam desenvolver mais políticas nessa área com prioridade e aproveitar a imagem dos ídolos paralímpicos para impulsionar uma transformação.

Caso contrário, continuaremos sendo um nação que só olha para essa parcela da população a cada quatro anos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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