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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Skate levou nova dose de espírito olímpico aos Jogos

Misugu Okamoto, skatista do Japão, carregada pelas adversárias  - Jamie Squire/Getty Images
Misugu Okamoto, skatista do Japão, carregada pelas adversárias Imagem: Jamie Squire/Getty Images
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Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

05/08/2021 02h13

O skate, que encerrou sua estreia olímpica nesta quinta (6), mostrou que pode fazer mais pelos Jogos Olímpicos do que o contrário.

Andar nas pranchas sobre rodas é mais do que um esporte. É um estilo de vida. Tem a ver com a música que você ouve, com as roupas que veste e com os rolês que dá.

Claro que a participação olímpica vai impulsionar a modalidade, mas ela já está consolidada e foi construída com princípios que independem dessa visibilidade.

Os Jogos Olímpicos também não dependem do skate para sobreviverem. Mas o bem que a modalidade fez ao evento em Tóquio está na cara. O sorriso estampava o rosto de quem se esborrachava no chão e o de quem acertava uma manobra. Perdedores e vencedores sorriam.

No começo foi um impacto e tanto para quem está acostumado a sentir a tensão nas disputas olímpicas mesmo estando do outro lado do mundo.

Caras fechadas, choro de tristeza e de alegria. A sensação de alívio parece ser maior do que a felicidade de uma conquista. É o que vemos em muitas modalidades.

No skate, que rendeu três pratas ao Brasil, porém, teve festa quase o tempo inteiro. Quem competia, transmita uma sensação de prazer. Essa leveza foi saudável para os Jogos de Tóquio. Ela nos lembrou que é possível para um atleta de alto nível competir se divertindo.

Além do prazer, a turma do skate difundiu em Tóquio a convivência em harmonia entre os competidores.

Isso rolou praticamente o tempo inteiro durante as provas. Atletas vibrando porque seus adversários acertaram uma manobra, muitas vezes os deixando para trás na disputa, foi cena corriqueira

São várias as imagens que ilustram as linhas acima. Uma delas é a do peruano Angelo Caro Narvaez festejando como se fosse dele a medalha de prata do brasileiro Kelvin Hoefler no skate street.

Outra cena com a mesma mensagem é a das adversárias da britânica Sky Brown comemorando com ela o bronze no skate park.

Porém, a imagem que mais simboliza a influência positiva do skate nos Jogos de Tóquio é a que encerrou a disputa feminina na modalidade park.

A japonesa Misugu Okamoto caiu ao tentar una manobra e ficou sem medalha. Foi um raro momento em que a expressão de tristeza tomou o rosto de alguém que competia. Durou pouco. Ela foi colocada nos ombros por algumas adversárias e voltou a sorrir.

Saber que a derrota não é o fim do mundo, entender que há mais em jogo do que a vitória, como a convivência em harmonia entre os adversários, são componentes do espírito olímpico. O skate trouxe uma nova e generosa dose desse sentimento vital para as Olimpíadas.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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