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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Dose de improviso faria bem à pragmática seleção de Jardine

André Jardine durante jogo da seleção brasileira contra o Egito pelos Jogos Olímpicos de Tóquio - Buda Mendes/Getty Images
André Jardine durante jogo da seleção brasileira contra o Egito pelos Jogos Olímpicos de Tóquio Imagem: Buda Mendes/Getty Images
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Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

31/07/2021 10h41

Com um futebol pragmático, a Seleção Brasileira venceu o Egito por 1 a 0, neste sábado (30), e se classifcou para as semifinais dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

O time de André Jardine solidificou sua imagem de uma equipe objetiva na qual cada jogador sabe o que fazer.

Quem pega a bola sabe para onde ir, quase sempre em direção ao gol adversário. Quem está sem ela, procura atacar os espaços deixados pelo oponente para se colocar em condições de receber o passe.

Quase tudo bem ensaiado. Ver o Brasil jogar é entender os conceitos de Jardine. Ele preza pela posse de bola. E o Brasil teve 64% de posse contra os egípcios, segundo o site Sofascore.

O passe precisa funcionar bem para os conceitos do treinador da Seleção Brasileira serem colocados em prática. Contra o Egito, o Brasil acertou 87% dos passes que tentou. A marca do Egito foi de 79%.

A pressão após a perda da bola pode ser mais eficiente para se encaixar melhor à filosofia de Jardine. Ainda assim, o Brasil fez mais desarmes do que seu adversário: 19 a 15.

Quase tudo no jogo da Seleção Brasileira parece ter sido meticulosamente ensaiado. Isso é ótimo, pois mostra que os treinamentos são bem feitos.

O pragmatismo de Jardine tem dado certo, mas um pouco de improviso faria muito bem ao time. Fugir do script com criatividade, mais dribles e maior troca de posições ajuda a desmontar defesas. Isso poderia ter ajudado o Brasil à ampliar a vantagem no jogo das quartas de final. A tendência é de uma partida ainda mais complicada contra o México pela semifinal.

Quebrar o protocolo de vez em quando seria útil para seleção na busca pelo bicampeonato olímpico. Não para recuperar a imagem do Brasil de guardião do futebol arte. Mas para ter uma ferramenta a mais para resolver jogos difíceis, como a partida contra o Egito.

Jogadores com capacidade de surpreender seus marcadores o Brasil tem de sobra. Só é preciso que eles se sintam confortáveis para sair uma vez ou outra da rotina planejada por Jardine.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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