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Blog do Perrone

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Pia merece mais elogios do que críticas por trabalho na seleção

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Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

30/07/2021 08h41

Faltou pontaria, variação tática, explorar mais o talento de Marta e uma solução para livrar Ludmila da marcação que a anulou. São muitas as críticas que podem ser feitas à seleção brasileira feminina, eliminada nos pênaltis pelo Canadá nas quartas de final dos Jogos Olímpicos de Tóquio, nesta sexta (30).

A maioria das cobranças deve ser endereçada à técnica Pia Sundhage. No entanto, isso não significa que o trabalho da treinadora sueca é ruim.

Pelo contrário. Se olharmos o conjunto da obra e não só a participação na Olimpíada veremos que Pia merece mais elogios do que críticas.

Ela preparou a seleção brasileira para o futuro sem Marta. Deu maturidade tática, organização e força coletiva para o time.

A seleção brasileira hoje tem um jeito de jogar que independe da maior jogadora de sua história.

É verdade que o talento individual de Marta foi sacrificado pelo jogo coletivo. Mas não foi só por isso que o Brasil foi eliminado.

Ludmila poderia ter desequilibrado, mas o Canadá não deixou o Brasil explorar sua velocidade.

O resultado teria sido diferente se as brasileiras tivessem uma pontaria melhor. Foram apenas cinco finalizações certas em 10 tentativas, segundo o Sofascore. O Canadá foi pior. Só uma de suas nove finalizações foi no alvo. Nos pênaltis, porém, as canadenses foram mais competentes e venceram por 4 a 3.

Uma análise fria da eliminação mostra que, apesar das falhas, Pia construiu um caminho para a seleção brasileira.

Mas ainda há muito trabalho a ser feito. E é melhor que ele seja realizado pela técnica que promoveu a mudança de mentalidade da seleção brasileira e mostrou que sabe como fazer o time alcançar o que quer. Ela precisa de tempo para completar o serviço, porém, sem ser poupada das cobranças.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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