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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Baile de favela: Rebeca aproximou jovem da periferia do sonho olímpico

27.07.2021 - Jogos Olímpicos Tóquio 2020 - A atleta brasileira Rebeca Andrade conquista a medalha de prata na ginástica - Jonne Roriz/COB
27.07.2021 - Jogos Olímpicos Tóquio 2020 - A atleta brasileira Rebeca Andrade conquista a medalha de prata na ginástica Imagem: Jonne Roriz/COB
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Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

29/07/2021 12h07

Rebeca Andrade foi cirúrgica ao conquistar a prata na competição individual geral da ginástica artística nos Jogos Olímpicos de Tóquio nesta quinta (29).

A primeira brasileira a faturar uma medalha olímpica na ginástica foi nota 10 em termos de divulgação do esporte como instrumento de transformação social para jovens brasileiras e brasileiros.

Se raramente o esporte de alto rendimento vai à favela, ela levou a favela à elite esportiva.

Todo atleta nacional que sobe no pódio olímpico naturalmente estimula meninas e meninos a sonharem com a glória olímpica.

Mas Rebeca explorou ao máximo o potencial olímpico de mostrar um caminho para as crianças.

Ao escolher "Baile de Favela", do MC João, para compor a trilha de sua apresentação no solo, Rebeca chamou a atenção da juventude brasileira, que se amarra em funk.

Ela levou sua mensagem para diversas classes sociais, já que o ritmo que a inspirou tem admiradoras e admiradores de diferentes poderes aquisitivos.

Porém, o mais legal dessa história é que ao usar parte da música que lista bailes funk da periferia de São Paulo, ela encurtou a distância entre a ginástica artística e meninas e meninos da perifa.

De certa forma, ao menos enquanto ela se apresentava no solo, a ginástica artística soou um pouco familiar para esses jovens.

Num país no qual crianças negras e pobres com frequência perdem suas vidas por ser impossível desviarem seus corpos de balas perdidas, a imagem de uma negra fazendo contorcionismo ao som de um funk consagrado "apenas" para fazer história tem uma potência incalculável.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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