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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Postura de jogadoras condena silêncio de jogadores da seleção sobre Caboclo

Rogério Caboclo, no discurso após ser eleito presidente da CBF, em 2018 - Lucas Figueiredo/CBF
Rogério Caboclo, no discurso após ser eleito presidente da CBF, em 2018 Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

14/06/2021 10h52

Funcionários da CBF e patrocinadores da seleção já se manifestaram por escrito sobre a necessidade de uma apuração ágil e profunda sobre a denúncia de assédio moral e sexual contra Rogério Caboclo. Sem citar o nome do cartola, as jogadoras da seleção brasileira divulgaram manifesto de repúdio ao assédio moral e sexual de maneira genérica. O recado foi dado. Reparou quem falta nessa lista? Sim, os atletas do time nacional masculino.

O silêncio dos comandados de Tite já é constrangedor por si só. Porém, a partir do momento em que eles ficam ilhados na posição de neutralidade suas imagens perante a opinião pública se tornam mais frágeis.

No manifesto que divulgaram para criticar a organização da Copa América, os jogadores não dedicaram uma linha ao caso Caboclo. Até aí, faz sentido, pois são assuntos diferentes.

E você pode dizer: "eles não têm a obrigação de se manifestar sobre as acusações contra o presidente da CBF (afastado, inicialmente, por 30 dias)".

Não têm mesmo. Ninguém pode ser obrigado a se manifestar sobre algo. Mas quando quase todo o entorno da CBF se manifesta, a ausência de posicionamento dos jogadores é mais sentida. O caso só não foi totalmente ignorado na seleção brasileira porque Tite, na segunda vez em que foi indagado, disse considerá-lo gravíssimo e afirmou esperar que o desfecho seja justo para todos os envolvidos.

"Dizer não ao abuso são mais do que palavras, são atitudes. Encorajamos que mulheres e homens denunciem!

Nossa luta pelo respeito e igualdade vai além dos gramados. Hoje, mais uma vez dizemos: não ao assédio", escreveram as jogadoras da seleção em parte da manifestação.

Já os funcionários da confederação foram diretos. "Nós, funcionárias e funcionários da Confederação Brasileira de Futebol, queremos manifestar nossa confiança na Comissão de Ética do Futebol Brasileiro para a investigação justa, ágil e profunda das graves acusações de assédio apresentadas", diz trecho do manifesto divulgado pela confederação.

E porque seria importante os comandados de Tite se manifestarem de maneira semelhante em relação à apuração das denúncias contra Caboclo, que nega as acusações?

Primeiro porque suas vozes têm longo poder de alcance e ajudariam no combate de um problema tão grave na nossa sociedade.

Especificamente em relação a Caboclo, existe um componente político na história. Caso a Comissão de Ética do Futebol Brasileiro determine o afastamento definitivo de Caboclo da presidência da CBF ou aplique outra punição, a decisão precisará ser referendada pela assembleia geral administrativa da confederação.

É necessária a aprovação de ¾ dos votantes (21 votos) para confirmar uma eventual sanção. Ou seja, nesse cenário, se conseguir sete votos Caboclo evitaria ser afastado.

Assim, posicionamentos como os dos funcionários, das jogadoras e dos patrocinadores pressionam os cartolas das federações a evitarem uma saída política para Caboclo, se ele for considerado culpado. A palavra dos astros do time masculino teria enorme peso nesse contexto. Porém, até agora, prevaleceu um distanciamento perturbador.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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