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Blog do Perrone

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Trocar de técnico era preciso, mas não resolve todos problemas corintianos

Vagner Mancini comanda o Corinthians em partida contra a Inter de Limeira-SP no Paulistão 2021 - Marcello Zambrana/AGIF
Vagner Mancini comanda o Corinthians em partida contra a Inter de Limeira-SP no Paulistão 2021 Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

17/05/2021 10h48

Trocar de treinador era algo necessário para o Corinthians, mas a mudança não vai resolver todos os problemas do time instantaneamente.

O alvinegro precisa de uma reconstrução dentro e fora de campo. Isso não depende só do técnico.

É algo demorado. Ainda mais quando essa remodelação deve ser feita com o mesmo grupo que está há mais de 13 anos no poder. É difícil se livrar de vícios e compromissos antigos.

Não é porque perdeu por 2 a 0 para o Palmeiras nas semifinais do Paulistão, neste domingo (16), que o Corinthians precisava trocar de técnico.

A derrota alvinegra era esperada por conta da diferença técnica entre os times. Mancini não tinha mais condições de seguir no comando porque perdeu a capacidade de fazer um elenco fraco evoluir.

Ele tem seus méritos no Corinthians. Em 2020, tirou da equipe mais do que Tiago Nunes conseguiu e livrou o clube do risco de rebaixamento no Brasileirão. Não foi pouca coisa.

Porém, em 2021 seu trabalho foi ruim. Ele demorou muito para fazer mudanças óbvias, como tirar Jô, Gil e trocar Fábio Santos por Piton.

Mancini teve azar também, como quando Mateus Vital se machucou em seu melhor momento no clube, ou quando Fágner testou positivo para covid-19 antes do confronto com o Palmeiras pela semifinal.

Mas sua queda tem muito mais a ver com erros e falta de potencial para melhora do que com falta de sorte.

Virada a página Mancini, o Corinthians não se livra da maioria dos problemas. O maior deles é a falta de dinheiro. Como contratar um técnico muito superior se não há grana para nada. Nada mesmo. Até o site do programa de sócio-torcedor do clube saiu do ar após atrasos nos pagamentos para a IBM.

Todo treinador sabe das dificuldades financeiras do Corinthians e da fragilidade de seu elenco. Isso deve funcionar como um repelente de bons técnicos.

E como reforçar o time sem dinheiro? Estamos em maio, e o Corinthians não contratou ninguém no ano.

Outro problema a ser resolvido é o preparo físico do time. A partida com o Palmeiras escancarou o que já dava para notar. A maioria dos corintianos perde quase todas as corridas contra os adversários. Na semifinal, o Palmeiras parecia uma Ferrari tirando racha com um Fusquinha.

Outra dificuldade do novo treinador será como fazer as revelações da base evoluírem sem um time forte para dar suporte a eles. Jovens com potencial, como Mandaca e Raul Gustavo, foram mal na semifinal. Isso pode começar a gerar desconfiança da torcida e dificultar o progresso deles.

Há ainda o caso dos veteranos. Fábio Santos, Jô e Gill estão muito mal. Parecem não ter mais condições de jogarem no nível de um time de elite.

Como o novo técnico vai desarmar essa bomba? Dispensá-los também gera custos. E ainda tem o fato de Cássio não estar no auge já há algum tempo.

Quase esqueço de falar de Araos, Léo Natel, Cantillo, Bruno Méndez, Camacho, Xavier... São muitos que não rendem.

Por trás de tudo isso há a necessidade de o clube se reorganizar administrativamente diante do cenário de terra arrasada deixado pela última gestão de Andrés Sanchez.

Só que o atual presidente, Duílio Monteiro Alves, era seu diretor de futebol e é seu aliado político. Quer um exemplo de como isso torna as coisas difíceis? Jacinto Antônio Ribeiro, o Jaça, conselheiro que cuidou do sub-23, um verdadeiro saco sem fundo, na administração de Andrés, segue influente nas categorias de base com Duílio. Lembra que eu falei sobre romper compromissos políticos? É isso.

Pense num treinador bom, Renato Gaúcho? Ele e nenhum outro conseguiria desenvolver seu melhor trabalho em meio a essa bagunça. O Corinthians precisa arrumar a casa para seu novo técnico ter melhores condições de trabalho.

Retirar os escombros, preparar o terreno e reconstruir o Corinthians vai levar tempo. Mesmo com um treinador top. Afinal, ele é técnico, não mágico.

Por isso, o corintiano deve estar preparado para um trabalho a longo prazo, o que exige paciência. Empurrar o time, quando os portões forem abertos, fiscalizar e cobrar a diretoria serão as únicas armas da Fiel para ajudar o substituto de Mancini.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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