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Blog do Perrone

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Clássico às 22h15 desrespeita o torcedor e desvaloriza mais o Paulista

Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

02/05/2021 10h00

A Federação Paulista de Futebol e o Grupo Globo aumentaram o sarrafo no quesito desrespeito ao torcedor. Marcar o clássico entre Corinthians e São Paulo para as 22h15 deste domingo (2) é um recorde de falta de consideração com os torcedores.

O pior é que a experiência nos diz que barbaridades desse tipo costumam ser testes para tornar normal o que é aberração.

Não duvido que haja planos de transformar esse horário estúpido em rotineiro.

Já pensou, jogo às 22h15 num domingo na Neo Química Arena, na volta do público aos estádios? Torcedores deixando a arena antes do fim da partida para pegar o metrô aberto, chegando em casa de madrugada, apesar de ter que trabalhar de manhã cedo?

Não faz parte da cultura do torcedor brasileiro encerrar as noites de domingo assistindo a jogos de futebol.

Empurrar esse horário é como obrigar alguém sem muita fome a bater um generoso prato de feijoada antes de dormir. Não é algo muito confortável.

Mesmo se for em casa, por conta da pandemia de covid-19, tem muita gente que acorda cedo na segunda para trabalhar e tem o hábito de dormir cedo no domingo.

Nada justifica mexer tanto com os hábitos do torcedor.

A Globo queria o jogo às 16h, o Ministério Púbico manteve seu veto a partidas antes das 20h, e o torcedor pagou o pato.

O argumento é de que fazer os jogos dentro do horário do toque de recolher no estado ajuda a evitar aglomerações de torcedores. A tese é discutível. Já o fato de que isso não é justificativa para fazer o Majestoso nesse horário esdrúxulo não tem discussão. A partida poderia muito bem começar às 20h. Seria menos mal.

FPF e Globo parecem não entender que há um efeito bumerangue nessa história. O descaso com o torcedor tem grande potencial para desvalorizar mais o Campeonato Paulista, que luta para não morrer. Acontecendo essa desvalorização, quem transmite os jogos perde audiência. E quem joga pode perder dinheiro.

A parcela de fãs que aceitam todo tipo de maltrato para ver seu time jogar diminui junto com a qualidade das partidas. E no Estadual ela tem sido baixa na maioria dos jogos. Ou seja num momento em que é preciso atrair o torcedor, os caras escolhem um horário que pode afastá-lo. Incompreensível indecência.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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