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Blog do Perrone

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Juntos, Palmeiras, SPFC e Corinthians têm déficit de R$ 403,9 mi em 2020

Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

30/04/2021 04h00

Juntos, Palmeiras, São Paulo e Corinthians registraram em 2020 um déficit de R$ 403.934.909,13, de acordo com os balanços divulgados pelos três clubes.

O resultado representa um déficit conjunto maior em R$ 54.033.660,03 em relação ao resultado obtido pelo Trio de Ferro em 2019.

Curiosamente, São Paulo e Corinthians apresentaram déficits menores em 2020, ano em que as finanças dos clubes começaram a ser afetadas pela pandemia de covid-19, em comparação com o exercício anterior.

A marca negativa aumentou por conta do Palmeiras, que saiu de superávit de R$ 1.723.750,90 em 2019 para déficit de R$ 151.015.909,13 no ano passado.

Dos três principais clubes de São Paulo, o alviverde foi o que registrou o maior déficit em 2020.

No São Paulo, o déficit em 2020 foi de R$ 129.605.000. Em 2019, o resultado do clube do Morumbi tinha sido deficitário em R$ 156.149.000.

Já o Corinthians apresentou no ano passado déficit de R$ 123.314.000. Sua marca também havia sido pior em 2019. No ano retrasado, o déficit corintiano foi de R$ 195.476.000.

Esse resultado pesou na decisão dos conselheiros que reprovaram, na última terça (27), as contas de 2019 apresentadas pela diretoria que era comandada por Andrés Sanchez.

Pandemia

Os efeitos da crise sanitária no calendário do futebol brasileiro ajudam a explicar a mudança negativa nas contas do Palmeiras. Além da queda de receita provocada pelos jogos sem público, o adiamento de partidas para 2021 adiou também a entrada no caixa de parte das premiações.

É o caso dos R$ 32 milhões referentes ao título da Copa do Brasil (o bônus de R$ 22 milhões por ter chegado até a final e as quantias referentes às outras mudanças de fase já entraram nas contas de 2020).

A premiação pelo título da Libertadores, sem contar as outras fases, só foi recebida em 2021, por isso entra no próximo balanço.

Com os jogos empurrados para 2021, outras receitas também foram transferidas para este ano. Entre elas estão cotas de TV, venda de placas de publicidade e premiação do Campeonato Brasileiro.

Pelo menos R$ 52 milhões de receitas do Palmeiras foram transferidos do ano passado para o atual por conta dos efeitos da pandemia no calendário do futebol brasileiro.

Nas contas da diretoria palmeirense também estão receitas que foram perdidas em decorrência da crise sanitária.

Nesse quesito entram as perdas com bilheteria por causa dos jogos com portões fechados e com arrecadação no programa de sócio-torcedor.

No entendimento da direção palmeirense, se não fossem os reflexos da pandemia, o alviverde poderia ter registrado um faturamento histórico de R$ 1 bilhão no ano passado. Isso graças ao desempenho do time, campeão da Libertadores e da Copa do Brasil.

A tese é de que os resultados em campo impulsionariam a venda de ingressos e de produtos licenciados, além da adesão ao Avanti (sócio-torcedor). Se os jogos não fossem adiados, toda a premiação entraria nas contas de 2020.

A avaliação da direção palmeirense é de que o clube saiu de uma previsão orçamentária de superávit de R$ 12 milhões em 2020 para um déficit de R$ 151 milhões exclusivamente por conta dos efeitos da pandemia.

Apesar da mudança desfavorável, não há desespero na diretoria em relação às finanças do clube.

O discurso é de que a situação é estável porque o Palmeiras ainda tem uma grande capacidade de gerar receitas e suas dívidas estão sendo quitadas em dia.

Existe ainda o entendimento de que o potencial para obter novas receitas aumentou de maneira substancial com a revelação de bons jogadores nas categorias de base. Isso tanto com novas premiações por títulos quanto com eventuais vendas.

Corinthians

A diretoria corintiana também aponta que os reflexos da pandemia atingiram fortemente as finanças da agremiação no ano passado.

Trecho do balanço alvinegro é dedicado a mostrar os efeitos da crise sanitária na saúde financeira do Corinthians.

O alvinegro aponta ter tomado "medidas de preservação das condições econômico-financeiras para manter uma condição mínima de cumprimento das obrigações".

"Apesar disso, os impactos financeiros e econômicos para o clube foram muito severos, pois as receitas de patrocínios, explorações comerciais e programa de Fiel Torcedor (sócio-torcedor) tiveram redução significativa no período, além da postergação de parte (cerca de 20%) das receitas de direitos de transmissão (TV) para o exercício de 2021", diz o balanço alvinegro.

Desde que assumiu a presidência, Duílio Monteiro Alves colocou em prática um programa de redução de despesas. A meta é cortar 20% dos gastos em todas as áreas. Na soma de janeiro e fevereiro de 2021, o alvinegro registrou superávit de cerca R$ 1 milhão. Porém, nos três primeiros meses do ano, não foram pagas parcelas do Profut, programa que refinanciou as dívidas das agremiações com a União.

São Paulo

O clube do Morumbi também reservou espaço em seu balanço para falar da queda no faturamento provocada pelos reflexos da crise sanitária.

"Parte significativa desta diminuição decorreu do adiamento do início dos campeonatos oficiais de futebol profissional e da consequente extensão das competições, cuja conclusão deu-se apenas no segundo mês do ano de 2021. Também limitaram a obtenção de melhores receitas a vedação governamental à presença de espectadores nos jogos da temporada, a perda das receitas do Programa Sócio-Torcedor, licenciamento de marca e patrocínios, bem como a retração nas receitas com contribuições sociais, entre outras", registra o documento.

Cortar despesas é uma prioridade para o atual presidente do São Paulo, Júlio Casares.

Além do déficit em 2020, Palmeiras, São Paulo e Corinthians têm em comum o fato de seus dirigentes acreditarem que 2021 será outro ano duro para as finanças de seus clubes ainda por conta da pandemia.

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