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Blog do Perrone

REPORTAGEM

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Caboclo alerta clubes para se modernizarem antes de virarem clube-empresa

Rogério Caboclo, presidente da CBF - Reprodução
Rogério Caboclo, presidente da CBF Imagem: Reprodução
Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

17/04/2021 09h48

Em reunião nesta sexta (16), Rogério Caboclo, presidente da CBF, pediu aos clubes interessados em se transformar em empresa que se antecipem ao projeto de lei em tramitação no Senado e já modernizem suas gestões. Isso para evitar problemas quando começarem a ser cobrados para cumprir as exigências previstas pela nova lei, desde que ela seja aprovada.

A mensagem em tom de alerta foi dada a dirigentes dos clubes que integram as quatro divisões do Campeonato Brasileiro durante videoconferência com o senador Carlos Portinho (PL-RJ). Ele é o relator do projeto de lei que prevê a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Presidentes de federações também participaram do encontro.

"Fiz um alerta para os clubes (interessados) se transformarem com responsabilidade. Eles precisam fazer uma pré-profissionalização, com auditorias, compliance, due diligence, precisam estar prontos para o rigor da bolsa de valores", afirmou Caboclo em entrevista ao blog.

"Não sou contra, pelo contrário. A CBF vê com bons olhos. A lei prega modernismo, vai permitir resultados empresariais, econômicos e até esportivos importantes. Eles (os que se transformarem) vão atrair novos investimentos, mas terão uma carga tributária maior. Precisam se preparar para não perderem tempo e dinheiro. Quem não conseguir cumprir as exigências da lei terá problemas. Minha recomendação foi nesse sentido", disse o presidente da CBF.

Caboclo elogiou Portinho por estar ouvindo todos os setores envolvidos com o futebol antes de fechar o texto do projeto.

"Não há motivos para criticar a lei porque ela é facultativa, democrática e eficiente. O senador ouviu todos os atores. Vemos maturidade na proposição", analisou Caboclo.

Durante o encontro, representantes de clubes falaram da necessidade de um período de transição em relação a tributos que não pagam hoje e passarão a pagar caso se transforem em sociedades anônimas do futebol.

"Muitos colocaram essa necessidade de fazer uma transição (aumentar a carga tributária aos poucos). Eu já vinha maturando validar isso. O projeto prevê (que comece com) uma tributação de 5% em regime de caixa. Precisamos construir uma transição tributária. Não dá para o clube dormir não pagando nada e acordar no dia seguinte pagando 34% ou até mesmo 5% em regime de caixa", afirmou o senador Carlos Portinho.

Segundo o relator do projeto, uma carga tributária menor ajudaria no pagamento das dívidas trabalhistas feitas pelos clubes.

O texto inicial do projeto apresentado pelo senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), atual presidente do Senado, tem como mentores os advogados José Francisco Mansur e Rodrigo Monteiro de Castro.

Nessa versão, os clubes poderão pagar todos os impostos numa alíquota de 5% durante cinco anos. Após esse período, o pagamento seria igual ao de todas as empresas.

A mudança que Portinho deve fazer é para que essa porcentagem saia de zero e aumente gradativamente.

Portinho espera que o projeto seja colocado em votação no Senado em maio.

"Estou na décima nona reunião com setores ligados ao projeto. Ao todo serão vinte e duas. Temos mais três para fazer até 23 de abril. Aí eu paro, preciso de uns 10 dias para trabalhar o relatório, trabalhar com o governo, mais essa parte tributária. A ideia é votar no início de maio", explicou o senador.

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