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Blog do Perrone

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Na Supercopa futebol brasileiro mostrou não entender seu papel na pandemia

Supercopa do Brasil, entre Flamengo e Palmeiras, contou com público convidado pela CBF e por patrocinadores - Buda Mendes/Getty Images
Supercopa do Brasil, entre Flamengo e Palmeiras, contou com público convidado pela CBF e por patrocinadores Imagem: Buda Mendes/Getty Images
Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

12/04/2021 10h47

A disputa da Supercopa do Brasil, com o ótimo jogo entre Flamengo e Palmeiras no último domingo (11), confirma que o futebol brasileiro não entendeu seu papel na pandemia.

A maior parte dos cartolas bate na tecla de que a modalidade tem como função distrair as pessoas que estão isoladas em casa.

Na opinião deste blogueiro, esse pode ser um objetivo secundário, mas não o principal.

Se o futebol vai continuar em meio ao momento mais duro da crise sanitária, que seja para conscientizar o torcedor da gravidade da doença que mata milhares diariamente no país e ensiná-lo a se prevenir.

No aspecto de educar quem estava em casa, o jogo em Brasília foi um desastre. A premiação ao final da partida foi o momento mais lamentável.

Muitos apertos de mãos e abraços. A maioria parecia ter esquecido que o vírus adora o contato físico para infectar as pessoas.

Havia necessidade de tanta gente no pódio? Uma premiação com menos pessoas além dos premiados seria mais segura para todos e mais didática para o torcedor.

Acompanhar pela TV cenas de relaxamento em relação ao distanciamento social, ainda mais com ídolos envolvidos, não ajuda a estimular a adoção das medidas de prevenção.

Os organizadores também parecem não ter levado em conta que testes e máscaras não são imunizantes. Infectologistas já repetiram isso à exaustão.

A presença de convidados nas arquibancadas também contribuiu para a sensação de falso fim de epidemia.

Pareceu que já estamos no estágio de voltar, aos poucos, a ter público nos estádios. Na verdade, estamos bem longe disso.

Pelas imagens da transmissão, os torcedores estavam de máscara e mantinha uma certa distância uns dos outros. Isso é bom. Mas eles precisavam estar ali? CBF, patrocinadores, clubes e os próprios convidados não entenderam que a circulação de pessoas ajuda o vírus a ser transmitido. Desde que saíram de casa para ir ao jogo até retornarem, todos estiveram 100% protegidos? Difícil acreditar que sim.

Ou seja, foi criado um risco desnecessário. Não deveria estar entre as prioridades de nenhum brasileiro neste momento fazer relacionamento presencial com patrocinadores, clientes e políticos.

O site da CBF nos conta o seguinte:

"Na tribuna, Rogério Caboclo (presidente da entidade) acompanhou a partida ao lado dos ministros da Justiça, Anderson Torres, de Minas e Energia, Bento Albuquerque, da Infrasestrutura, Tarcísio Freitas, e do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, além do Secretário Nacional de Futebol, Ronaldo Lima, e do Secretário da Pesca, Jorge Seif".

Não era hora para isso. De fato, o futebol brasileiro poderia ajudar no combate à pandemia, mas, parece preferir olhar para o próprio umbigo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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