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Como o Palmeiras ultrapassou o Corinthians dentro e fora de campo

Jogadores do Palmeiras comemoram gol marcado contra o Corinthians em clássico do Brasileirão - Marcello Zambrana/AGIF
Jogadores do Palmeiras comemoram gol marcado contra o Corinthians em clássico do Brasileirão Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

20/01/2021 09h04

Em novembro de 2012, o Palmeiras amargava o segundo rebaixamento para a Série B de sua história.

Praticamente um mês depois, o torcedor palmeirense teve outro dissabor ao ver o Corinthians, seu maior rival, ser bicampeão mundial, batendo o Chelsea na final, depois de faturar a Libertadores de forma invicta.

Estava estabelecida uma distância entre os adversários históricos que, para a Fiel, dificilmente seria extinta.

A vantagem era alvinegra também nas finanças. Segundo levantamento feito pela BDO na ocasião, o clube do Parque São Jorge teve em 2012 R$ 117,3 milhões a mais em receitas do que o alviverde.

Porém, na na última segunda (18), veio a confirmação de que era possível para o Palmeiras não só colar no rival como dava para ultrapassá-lo.

Essa ultrapassagem foi simbolizada pela vitória palmeirense por 4 a 0 no dérbi do início da semana pelo Brasileirão no Allianz Parque. O palco foi o mesmo no qual em 2018 o Corinthians deu a volta olímpica ao ganhar o Paulista nos pênaltis num gesto de resistência contra o seu maior adversário.

A goleada alviverde trouxe a confirmação de que agora quem enxerga o rival pelo retrovisor é o Palmeiras.

Antes da goleada no dérbi, o time de Weverton já havia batido o Corinthians nos pênaltis na final do Paulista de 2020.

Além disso, o clube presidido por Maurício Galiotte está na final da Libertadores e da Copa do Brasil e ainda briga pelo título brasileiro.

A agremiação comandada por Duilio Monteiro Alves caiu antes da fase de grupos da Libertadores, nas oitavas de final (única etapa em que atuou na Copa do Brasil) e precisou de uma arrancada no Brasileirão para se afastar da zona de rebaixamento.

Grana

Nas finanças, o Palmeiras também deu o troco. Os balanços de 2019 dos dois clubes mostram que a receita alviverde foi superior em R$ 215.518.000. Os balanços auditados de 2020 ainda não foram publicados.

A recuperação alviverde aconteceu aos poucos e começou em janeiro de 2013 com Paulo Nobre assumindo a presidência.

Diante da situação crítica, o cartola colocou dinheiro, que já recebeu de volta, do próprio bolso para fazer a roda girar.

Executivos x Conselheiros

Com o novo presidente, o Palmeiras passou a tirar a força de conselheiros no departamento de futebol, dando poder a executivos.

Primeiro veio José Carlos Brunoro, sucedido por Alexandre Mattos, que foi demitido em 2019. Hoje, o posto é ocupado por Anderson Barros.

Durante todo esse período, o Corinthians se manteve fiel à estratégia que já adotava na vitoriosa temporada de 2012.

O chefe do departamento de futebol é um diretor estatutário, que ao final do mandato é lançado como candidato à presidência. Ele ainda costuma ser ajudado por um ou dois conselheiros. Abaixo do diretor estatutário, vem o gerente de futebol.

O atual presidente, Duilio Monteiro Alves, era diretor de futebol na última gestão. O ex-presidente Roberto de Andrade é o novo diretor.

Patrocínio

Na recuperação alviverde a Crefisa teve papel importante. O casal de palmeirenses formado por Leila Pereira e José Roberto Lamacchia quebrou a rotina corintiana de arrecadar mais com patrocínios. Isso sem contar o dinheiro emprestado pela Crefisa para contratações.

O balanço corintiano referente a 2019 mostra que o departamento de futebol alvinegro arrecadou naquele ano R$ 62.366.000 em patrocínios e publicidades. Já o Palmeiras colocou R$ 119.257.000 em seus cofres.

Reforços

A diferença na conta bancária refletiu na política de contratações dos rivais. Os corintianos continuam com a estratégia de fazer apostas. Deu certo no passado com nomes como Cássio e Paulinho, que se transformaram em ídolos.

Com suporte da Crefisa, o Palmeiras foi atrás dos jogadores mais cobiçados do mercado. Nem sempre deu certo, como aconteceu com Borja e Guerra, por exemplo.

Em 2020, Galiotte pisou no freio e determinou contratações pontuais. Foi assim que chegaram Viña, Rony e Alan Empereur.

Na contramão do rival, o Corinthians foi contratando durante a temporada já que a maioria dos reforços iniciais não renderam. Na lista estão Sidcley, Davó, Yony González, Luan, Léo Natel, Éderson, Cantillo, Jô, Fábio Santos, Cazares, Otero e Jonathan Cafú.

Base

Em outra diferença entre os rivais, o Palmeiras obteve bons resultados com suas categorias de base em 2020. Gabriel Menino, Patrick de Paula, Gabriel Veron e Danilo se destacaram. O Corinthians não tem hoje nenhum titular absoluto formado na base. Foi assim na goleada sofrida no dérbi, que marca um novo momento da eterna disputa particular entre os dois clubes paulistanos.

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