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Vitória de Duílio mostra que desejo do torcedor pouco importa em eleição

Duílio Monteiro Alves eleito presidente do Corinthians no Parque São Jorge - Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Duílio Monteiro Alves eleito presidente do Corinthians no Parque São Jorge Imagem: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

29/11/2020 09h33

Os sócios do Corinthians elegeram Duílio Monteiro Alves presidente do clube. O resultado significa a aprovação da gestão do diretor de futebol que ganhou dois campeonatos paulistas, terminou 2019 com um déficit R$ 134 milhões no futebol e montou o caro time atual, que até agora só fez correr do risco de rebaixamento no Brasileirão.

Os 1.079 (37,7% do eleitorado) que votaram em Duílio parecem aprovar contratações como as de Araos, por R$ 23,9 milhões, Everaldo, Yony González e Sidcley, completamente fora de forma, entre outras.

A vitória do amigo de Andrés Sanchez pode ser entendida como aval de seus eleitores para lambanças como divulgar de maneira errada os detalhes da venda de Carlos Augusto.

Porém, basta dar uma olhada nas redes sociais para ver que a maioria do torcedor corintiano reprova a gestão de Duílio no futebol e a de Andrés no atual mandato.

A vitória do ex-diretor de futebol está desconectada da opinião da maior parte do torcedor. Essa contradição é fruto de um modelo de votação que não leva em conta o tamanho do Corinthians e, consequentemente, a opinião do torcedor. Na verdade, não considera nem o desejo da maior parte do sócio, já que a soma dos votos de Augusto Melo (32,6%) e Mário Gobbi (27,3%) supera o número alcançado por Duílio.

Andrés e seu grupo aprenderam que não é preciso agradar a maior parte da Fiel. Contra uma oposição que não consegue lançar candiato único, cerca de 34% dos votos é uma marca segura, já que não há segundo turno. Nesse cenário, vale mais a política interna. Ao torcedor só cabe torcer.

Introduzir o voto do sócio-torcedor não é simples, já que quem não frequenta a área social eleger o presidente que cuidaria dela não seria coerente. Mas é estarrecedor saber que os conselheiros do clube não conseguiram até agora encarar de frente o problema e encontrar uma solução.

Enquanto isso não acontecer, o torcedor corintiano vai ter que engolir a vontade dos trinta e poucos por cento que continuaram mandando no alvinegro.

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