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Corinthians: pivô de crise com Melo por atletas tenta nova vaga no conselho

Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

27/11/2020 10h09

Augusto Melo chega à reta final de sua campanha à presidência do Corinthians defendendo-se de afirmações de que já atuou agenciando jogadores. Curiosamente, quem se coloca como principal testemunha do caso e que admite ter atuado no ramo de agenciamento de atletas também disputa a votação deste sábado (28), mas como candidato à reeleição ao Conselho Deliberativo.

Adilson Pavão Júnior, o Adilsinho, desafeto de Melo, lançou sua candidatura pela Chapa 12, a Corinthians Supremo, que tem membros apoiando diferentes candidatos à presidência. Adilsinho não disse ao blog em quem vai votar.

O imbróglio se tornou público depois que o "Blog do Paulinho" divulgou mensagens de áudio enviadas por Augusto para Adilsinho, em 2019, e que revelam desentendimento entre ambos por conta de operações envolvendo atletas que atuaram no Barbarense e interessavam ao Real Ariquemes, de Rondônia.

Na ocasião em que tratavam da negociação, Adilsinho já era conselheiro do Corinthians. Melo tinha encerrado seu mandato no órgão. Ambos atuaram no Barbarense. Adilson afirma que, depois de o desentendimento dele com Melo por conta de negociação de jogadores ser publicado e gerar polêmica, pediu afastamento do conselho para não prejudicar o Corinthians durante as discussões.

Melo alega que não recebia salário por sua atuação como gestor e que, por isso, foi autorizado a ficar com uma porcentagem na venda de atletas. Afirma ainda que nunca negociou atletas ligados ao Corinthians.

Ele se diz vítima de ataques com interesse em minar sua candidatura.

Por sua vez, Adilsinho afirma não considerar ser antiética sua participação no ramo do futebol simultaneamente ao posto no conselho porque nunca negociou com o clube do Parque São Jorge.

Adilsinho conta que arrendou equipes da base do Barbarense e que outro candidato à reeleição no conselho, José Valmir da Costa, da Chapa 77, também estava no projeto, assim como Melo.

"Eu entendo que eticamente você não pode fazer negócio com o Corinthians. Agora, eu nunca escondi de ninguém, dentro do conselho, dentro do Corinthians, que eu tinha uma camisa alugada do Barbarense. Eu era um patrocinador do Barbarense e acabei virando um gestor. Hoje nem trabalho mais com isso. Entrei nesse negócio por convite do Augusto, de ser um agenciamento, por ser um negócio muito bom, que trazia muito dinheiro, muitos frutos, fiquei um ano e meio nisso e não colhi nenhum fruto, só tive despesa e perdi dinheiro, hoje não sou mais agente, nunca consegui ganhar nada", afirmou Adilsinho. Melo nega que tenha sido convidado pelo desafeto.

Além de Augusto Melo, Mário Gobbi e Duílio Monteiro Alves disputam a presidência do clube.

Abaixo, veja nota enviada ao blog pela assessoria de imprensa de Augusto Melo.

"O que um certo senhor vem dizendo e ventilando na imprensa são mentiras. Entramos
com uma queixa-crime contra ele, para que ele prove que recebi algum dinheiro do Corinthians. Eu nunca fiz nenhuma negociação com o Corinthians e desafio alguém a provar isso. E nunca fui sócio desse senhor em empresa alguma. O que é curioso é queeles sabiam sobre a minha passagem pelo União Barbarense há anos e só agora vêm
falar sobre isso, nas vésperas da eleição.
Sobre a questão dos recebimentos. Isso nada tem a ver com o Corinthians.
Ele fala da contratação do Matheus Araújo, porém o jogador foi emprestado para o
Corinthians em julho de 2018, sem o clube pagar um centavo se quer. Como prova o contrato do União Barbarense com o Corinthians. Ele foi para o Corinthians de graça. Em um período que eu nem no clube estava, não era assessor da base e nem conselheiro.
Era apenas um sócio. Se houve alguma irregularidade, que perguntem para a atual gestão. A atual administração que tem que explicar se houve algo errado na compra desse jogador.
Sobre a minha passagem pelo União Barbarense, a minha relação era diretamente com o clube. Eu era diretor de futebol, como já explicou o presidente que assumiu a gestão na época. A minha relação com esse senhor, que anda espalhando mentiras, era de representante do clube com um parceiro que buscava viabilizar investimentos para o União. Em todas as minhas falas, divulgadas por aí, eu estou negociando pelo clube,
falando pelo clube, representando o clube. Como o próprio presidente do clube já confirmou, eu seria recompensado pelo meu trabalho caso o União vendesse algum jogador, aí o clube me pagaria. Sem nenhuma ligação com qualquer atleta.
Eu venho há quase dois anos trabalhando para construir um projeto sustentável para o
Corinthians, com pessoas competentes e respeitadas. Uma campanha pautada por propostas, sem ataque a ninguém, sem acusações descabidas, sem a necessidade de tentar desmoralizar nenhum dos candidatos. Acho que está muito claro o que eles estão tentando fazer na véspera da eleição."

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