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Oposição vê Palmeiras perdido em busca de técnico. Clube vê rumo definido

Maurício Galiotte, presidente do Palmeiras - Cesar Greco
Maurício Galiotte, presidente do Palmeiras Imagem: Cesar Greco
Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

16/10/2020 11h22

A demissão de Vanderlei Luxemburgo não aliviou a pressão sobre Maurício Galiotte. Pelo contrário, conselheiros oposicionistas criticam o dirigente até pelo processo de escolha do substituto. Os críticos afirmam que o cartola e sua diretoria estão perdidos e que muita gente dá palpite no futebol. Também voltam à superfície queixas sobre a montagem do time, com jogadores caros e que não renderam o esperado e a respeito da situação financeira do clube.

No entendimento da diretoria, porém, as queixas têm fundo político porque são disparadas por membros da oposição.

A crítica de que Galiotte está perdido é sustentada pelos nomes ventilados para ocupar a vaga deixada por Luxa. Miguel Ángel Ramírez, Rogério Ceni, Guto Ferreira e o já descartado ex-lateral Arce formam, na opinião de opositores, um pacote de técnicos com características diferentes, configurando que a diretoria não sabe o que quer.

Um dos motivos para essa suposta falta de rumo, segundo os opositores, seria o fato de muita gente opinar no departamento de futebol.

Porém, na concepção da diretoria não há desorientação na busca pelo novo treinador. O argumento é o de que o perfil está traçado. O profissional escolhido deverá implantar o modelo de jogo definido pela direção, com intensidade, dinâmica e ofensividade. Ramírez é a primeira opção.

O argumento de que há excesso de gente dando opiniões nos assuntos relativos ao futebol também é rechaçado pela cúpula. O discurso é de que as decisões do departamento são tomadas por Galiotte com o conselho gestor, formado pelos quatro vices e pelo diretor financeiro.

Curiosamente, antes de esse grupo de gestores ser formado, o presidente palmeirense era criticado, até por situacionistas, por supostamente só ouvir Alexandre Mattos, ex-executivo de futebol do clube.

A direção não nega que a situação financeira é difícil, mas responsabiliza os reflexos da pandemia de covid-19. O cálculo é de que o Palmeiras vai faturar em 2020 cerca de R$ 200 milhões a menos do que o previsto. Isso significa cerca de 35% de redução em relação à receita estimada na previsão orçamentária.

Mattos é lembrado novamente pelos opositores. Eles afirmam que Galiotte não completou a reformulação do elenco, que continua com alguns jogadores caros, que assinaram contratos longos e que não justificam o investimento. Ramires, que assinou por quatro anos, é um dos exemplos mais citados.

Os insatisfeitos classificam a situação financeira do clube como preocupante e culpam principalmente esses contratos longos com atletas que teriam sido supervalorizados no momento de suas contratações.

Porém, na avaliação na da diretoria as medidas necessárias para o enfrentamento das dificuldades financeiras estão sendo tomadas. São citados ajustes financeiros por meio da venda de atletas e redução da folha de pagamento, sem perder a competitividade, na opinião dos gestores.

Os críticos discordam e criticam a qualidade do time, o que é rebatido com o título Paulista e o bom desempenho na Libertadores.

Na visão da diretoria houve empenho e bons resultados para reformular o elenco, vendendo ou emprestando jogadores caros, com rendimento inferior ao esperado. Vale lembrar que, recentemente, Bruno Henrique, constantemente criticado pela torcida, foi vendido para o Al-Ittihad, da Arábia Saudita.

Conforme apurou o blog, dois fatores impediram uma reformulação maior. Um deles foi a recusa de parte dos jogadores em deixar o Palmeiras diante das possibilidades que apareceram. O outro foi a estratégia de manter um núcleo experiente para dar suporte aos jovens da base que ganharam espaço.

Garotos como Patrick de Paula, Gabriel Menino e Gabriel Veron são vistos como garantia de que o alviverde poderia amenizar suas dificuldades financeiras. Bastaria colocar um deles à venda. Porém, Galiotte decidiu que não é o momento de botar os jovens no balcão de negócios. O presidente espera bons resultados esportivos com eles.

Além dos de novatos promissores, o técnico escolhido também encontrará um ambiente político de muita pressão por títulos e sem aumento nos gastos. Isso inclui o salário do futuro comandante.

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