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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Menon: O São Paulo? Melhor entregar aos árabes

Estádio do Morumbi após a vitória do São Paulo em cima do Corinthians - Brunno Carvalho/UOL
Estádio do Morumbi após a vitória do São Paulo em cima do Corinthians Imagem: Brunno Carvalho/UOL
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Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

06/12/2021 04h00Atualizada em 06/12/2021 13h53

O São Paulo chega à 37° rodada do Brasileiro em situação desconfortável. Tem 45 pontos e enfrenta o Juventude, com 43. O Cuiabá, que recebe o Fortaleza, e o Bahia, que tem um jogo a mais, também têm 43. Um dos cinco - acrescente-se o Furacão, com 45 pontos - vai cair.

E na mesma semana tensa, apareceu a especulação de que o São Paulo poderia ser alvo de investidores árabes dispostos a comprar um time brasileiro.

Seria ótimo. O clube voltaria a ter um time competitivo. A camisa branca com listras vermelha e preta voltaria a ser temida.

E o torcedor viveria ainda de lembranças de grandes craques criados no Morumbi. Ou de tantos outros que passaram por lá: Leônidas, Bauer, Gerson, Cerezo, Pedro Rocha, Ceni, Kaká, Zizinho, Didi, Falcão...

Ah, mas o clube vai ser dominado por árabes, pouco afeitos à democracia?

Amigo, os atuais dirigentes estão preparando uma mudança de estatuto que perpetuará o atual grupo no poder?

Ah, mas será a confissão de fracasso. Não temos mais nossos dirigentes.

Amigo, nunca foram seus. Pertencem a um sistema fechado e que vai ficar mais fechado ainda.

Ah, mas foram dirigentes antigos criados nesse sistema que criaram a grandeza do clube, através dos anos.

Sim, dirigentes ousados, capazes de contratar, nos anos 40, Leônidas da Silva, o maior jogador do Brasil. Dirigentes obsessivos, capazes de construírem o Morumbi. E, após sua conclusão, de contratarem Toninho Guerreiro e Gerson de Oliveira Nunes. Pedro Rocha. Visionários que construíram o CT da Barra Funda. E o CFA de Cotia.

E o que se pode esperar dos dirigentes de hoje? Alguma ideia revolucionária no marketing? Uma maneira criativa de enfrentar a dívida? Uma maneira conservadora de enfrentar a dívida?

Um jeito de receber mais dinheiro com a venda das joias de Cotia? A venda do naming right do Morumbi?

O que se pode esperar de novo, de moderno, quem sabe, doce ilusão, de revolucionário? Nada. Nadica de nada.

Estão com o pensamento voltado para o dia 16, um golpe. Estão todos fechados em si mesmos, louvando e babando com elucubrações jurídicas de membros da TFP. Nada de colocar o clube na condenação da ditadura. Nada de apoio à causa LGBTQIA+.

Entreguem aos árabes. Peçam que respeitem Eder Jofre e Adhemar Ferreira da Silva. Exijam que não mudem nossas cores. E entreguem. O clube estará em melhores mãos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL