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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Menon: Belo morreu e um pouquinho de mim também

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Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

28/10/2021 14h59

Estamos vivendo um looping terrível. Não sei se presos em uma falha do tempo, como o Dia da Marmota, ou em uma viagem só passado naquele Delorean.

O craque do vôlei e seus colegas ainda acham possível chamar alguém de "viadinho", como na infância. A nova realidade - ainda há muito a ser feito - apareceu como um muro sólido a dizer não passarão. Frase da Pasionaria, lutadora contra Franco.

O passado está volta. Carcaça de peixe, osso temperado para a sopa. Dificuldades para vacinar a população, fim da meia entrada, São Paulo F.C. coadjuvante.

Eu também ando no passado. Um passado acolhedor, fruto da minha memória afetiva. Sempre fui apaixonado por telecatch, aquela febre da infância.

Meu pai ficava preocupado. Não por eu gostar. E sim por eu gostar dos bandidos. E dele, Aquiles. O Sanguinário. O Matador.

Torcia desesperadamente por Aquiles. E, então, por seus amigos do Mal. King Kong, Homem Montanha...Não gostava dos loirinhos oxigenada como Nino Mercury, Bob Leo e Ted Boy Marino.

Uma das maiores alegrias da minha carreira foi fazer um perfil de Aquiles para a Revista ESPN em 2012. Pura diversão.

Nos últimos tempos, passei a ver vídeos antigos de luta. Aquiles x Michel Serdan em uma jaula. Aquiles e Mr. Argentina amarrados por uma corrente de ferro.

E um vídeo chama outro...E lá estava Belo, o Carrasco Português. Mau como Pica-Pau. Não era um Aquiles, mas era muito bom. E muito mau.

Eu me lembrei de uma recordação do André Amaral, meu colega do Lance! Pequeno, foi ver luta livre no ABC, onde morava. Belo fez suas maldades, foi vaiado e, findo o espetáculo, foi flagrado pelo garoto Amaral, paramentado de verde e vermelho, sentado no meio fio, com uma coxinha em cada mão. Matando a fome. E morrendo o personagem. O brutamontes era um ser humano normal, fã de coxinhas, como quase todos nós.

E a volta ao passado também me reservou um soco na cara. Belo, o Carrasco Português, morreu em 2015. Diabetes e colesterol, como todo mundo.

Belo, Aquiles, o alemão Volpi, Cavernari, Moreto, Tigre Paraguaio, Rasputin....Onde estarão?

Para mim, estão dentro de mim, dentro do tempo em que felicidade era constante e também, agora e sempre, incrustados eternamente neste cantinho da saudade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL