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Menon

REPORTAGEM

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América-MG se prepara para ser S/A e projeta top 10 em cinco anos

Marcus Salum (direita), diretor de futebol do América-MG - Arquivo pessoal
Marcus Salum (direita), diretor de futebol do América-MG Imagem: Arquivo pessoal
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Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

26/10/2021 04h00

O América-MG está em nono lugar do Brasileiro, o que pode levar o clube à Sul-americana ou até a Libertadores, deixando de lado a instabilidade e fama de ioiô.

Não é bom falar do assunto com Marcus Salum, ex-presidente e atual comandante do futebol do clube. "Nem fala nisso. Nossa luta ainda é para não cair. Nada está garantido ainda".

E, se ele é cauteloso quanto ao presente, é muito mais ousado quando se fala de um futuro próximo de seu clube. "Daqui a cinco anos, o América será um dos dez clubes mais fortes do Brasil".

Na entrevista ao blog, ele explica os motivos de tanto otimismo.

Dez mais? Você está pensando em tomar a vaga do Cruzeiro?

Nada disso. O Cruzeiro tem o caminho dele, e nós temos o nosso. Eles estão enrascados, mas é um clube extraordinário. Eles têm 9 milhões de torcedores e nós temos 500 mil.

Qual o lugar do América em Minas?

Você sabia que nos anos 60, o clássico mineiro era América x Galo? Aí, o Cruzeiro montou o melhor time do Brasil, com Tostão, Dirceu Lopes etc. Acabaram com o Santos de Pelé. E coincidiu com a construção do Mineirão e o crescimento de Minas Gerais. Hoje, tem muito cruzeirense cujo pai é americano. Queremos retomar nossa torcida.

E quem seriam os outros nove grandes?

Ah, eu não escolho companhia não. Mas são quatro de São Paulo. O Santos está combalido, mas surgiu o Bragantino. Do Rio, coloca Flamengo, Fluminense e o Vasco. Botafogo, vejo abaixo. Os dois gaúchos e o Furacão. Nós vamos nos firmar entre essa turma.

Para ser campeão da Série A?

Isso é muito difícil. Como competir com Flamengo e Palmeiras? Mas, eventualmente, quem sabe? Olha o Bragantino e o Fortaleza.

E como está o projeto da transformação do América em S/A?

Estamos trabalhando nisso desde 2016. Pensamos em fechar em janeiro. Nem me pergunta com quem. Existe um contrato de confidencialidade e não posso revelar.

Nota do blog: há informações de que o parceiro será Joseph DaGrosa, bilionário norte-americano

Como a empresa funcionará?

Ela será capitalizada no dia da assinatura do contrato, com o dinheiro dele e com a nossa parte, que será com nossos jogadores.

E quem decidirá sobre a política do futebol, contratações etc?

A diretoria que será formada. Gestão compartilhada. Eu farei parte.

Duas perguntas em uma. O que é Planeta América? Ele será contrapartida ao dinheiro do investidor?

O Planeta América é um projeto que reunirá todo nosso futebol, da base ao profissional, em um complexo com nove campos, restaurante, alojamento, fisioterapia. Tudo em um mesmo lugar. Não será contrapartida. É do América.

Como o América tem lutado contra clubes de orçamento muito maior?

Pois é. O nosso orçamento é de [R$] 80 milhões por ano. Não dá pra comparar com gigantes. Então, é pé no chão. No ano passado, chegamos na semi da Copa do Brasil. O prêmio foi gasto para pagamento de dívida com Profut e em infraestrutura. Jogador aqui não ganha [R$] 400 mil por mês. De jeito nenhum.

E o Zarate?

Grande jogador. Foi uma oportunidade de mercado muito boa. E não estourou orçamento.

A base do América é importante para o clube?

Fundamental. Olha, o Danilo e o Richarlyson que estão com o Tite saíram daqui. Gilberto Silva. Palhinha, Euller, Tostão...Tem mais de 15 que jogaram na seleção brasileira.

O América não quis vender o Ademir para o Palmeiras e ele vai para o Galo, de graça.

Nossa, fui muito xingado quando não vendi. O Palmeiras ofereceu [R$] 3 milhões e eu pedi [R$] 6 milhões. Eles não cederam. Ora, como eu contrataria outro jogador desse nível com [R$] 3 milhões. Optei pela questão técnica. E depois, renovaria. Ele não aceitou renovar e assinou pré-contrato com o Galo. Sai de graça, mas continuou aqui e ajudou bastante na nossa campanha.

E o Lucas Kal, do São Paulo?

Está tudo certo. No final do ano, acaba o contrato dele com o São Paulo, e ele continua com a gente. O São Paulo fica com 40% dos direitos. Ele tem pouco físico para zagueiro e está jogando muito bem como volante.