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Menon: São Paulo tem muito marketing com Ceni e cancelamento de Crespo

Rogério Ceni comanda primeiro treino após voltar ao São Paulo - Rubens Chiri / saopaulofc
Rogério Ceni comanda primeiro treino após voltar ao São Paulo Imagem: Rubens Chiri / saopaulofc
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Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

14/10/2021 14h41

Poderia ser muito simples, como em qualquer atividade. "O São Paulo acredita que, apesar de bom, o trabalho de Crespo é insuficiente para levar o time à Libertadores e por isso resolveu, em comum acordo, romper o vínculo. O novo treinador é Rogério Ceni, o atual campeão brasileiro".

Mas, não.

É necessário marketing. É necessário criar uma narrativa. Dois pontos da fala do presidente Casares.

1) Rogério é são-paulino e está de volta para a sua casa.

Ora, Ceni deve ter ficado louco com essa frase. Ele fez - e está muito certo em fazer - um processo de afastamento do São Paulo. Ele se posicionou como um treinador no mercado. Foi um movimento correto que o diferenciou de treinadores como Marcão, Andrade, Milton Cruz e outros. Ele não é um são-paulino treinador, é um treinador com grande história no São Paulo. O São Paulo não é sua casa.

É um local de trabalho.

No processo de posicionamento no mercado, ele chegou a menosprezar a torcida do São Paulo, comparando-a com a do Flamengo. De modo inferior.

2) "Ele entendeu o convite como uma convocação".

Então, tá. Qual é a multa em caso de rescisão? Aposto que é muito bem feita. E, caso haja demissão, ele não abrirá mão de um real. E está muito certo. É um profissional no mercado, com quatro títulos conquistados em quatro anos. Tem uma carreira pela frente.

Não é um são-paulino que aceitou uma convocação do clube que ama. Fez um contrato com o São Paulo como faria com outro clube. Como fez na primeira vez, com multa de R$ 5 milhões. Corretíssimo.

Esse tipo de construção de narrativa vem desde o ano passado ou até antes. Para que dizer que Juanfran torceu para o São Paulo em 92? Que tinha mentalidade vencedora? Só besteiras.

O marketing de Casares está em todas suas ações. Até com Crespo. O argentino disse uma frase bonita: "onde as pernas não chegarem, chegará o coração".

Foi transformada em camiseta. E escrita no vestiário. Marketing puro, forcando um atalho para uma conexão que até poderia existir com o tempo. Para que a pressa?

E no dia em que ele cai, a frase é removida. Cancelamento.

Dizem que voltará. Tomara que sim.

E que a torcida mantenha a faixa com a frase.

A torcida deveria fazer uma bandeira com o rosto de Crespo. Ele conquistou um título paulista. Quem acha que é pouco, pode se preparar. Vai ser difícil ganhar outro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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