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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Hernanes sai e o futebol fica menor, sem ídolos

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Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

17/07/2021 12h00Atualizada em 19/07/2021 15h46

É triste ver um ídolo se despedindo. Falo de Hernanes, mas vale para para outros. Poucos outros, esse é o problema. Não existem mais ídolos. Ou existem poucos.

Ídolo é aquele que cria fortes raízes no clube, que marca um período, que tem identificação com a torcida. Nem precisa ter jogado em um único clube. Pedro Rocha e Dario Pereira jogaram no Palmeiras e não deixaram de ser ídolos no São Paulo. Leivinha e Evair jogaram no São Paulo e não deixaram de ser ídolos no Palmeiras.Nem precisa de títulos. Roberto Dias é exemplo maior.

O futebol de hoje é muito diferente daquele dia anos 70. O fim da Lei do Passe (importantíssimo) e o dinheiro europeu são fundamentais para que o jogador fique pouco em um clube. As novas regras que permitem muitas substituições não ajudam a fixar um onze titular no imaginário coletivo.

É mais fácil um palmeirense recitar a Academia de 72 do que o time campeão da Libertadores do ano passado. Eu sei o São Paulo campeão paulista de 70 e não sei o de 2021. A primeira lembrança que tenho de mim é, criancinha, na sala de meu avô, repetir o ataque campeão de 1957, sob olhar orgulhoso de meu pai: Maurinho, Amauri, Gino, Zizinho e Canhoteiro.

Por isso tudo, dói a saída de Hernanes. É o fim de um ídolo, é o prenúncio do inicio de uma era. Ídolos, não haverá mais.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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