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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Paulinho coloca Exu no mundo da bola

Twitter Paulinho - Reprodução
Twitter Paulinho Imagem: Reprodução
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Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

17/06/2021 17h46

O atacante Paulinho, ex-Vasco e atualmente no Bayer Leverkusen, comemorou, nas redes sociais, sua convocação para a Olimpíada de Tóquio.

Agradeceu ao Divino. Ao Sagrado. A Exu, sua crença. Que deve ser respeitada como tantas outras.

É estranho que em um país tão miscigenado como o Brasil, as religiões de matriz africana sofram tanto preconceito. De há muito - Jorge Amado sempre mostrou - e cada vez maior em um Brasil que luta para ser cada vez mais branco.

Nem que seja tirando terra de índio.

Eu não faço ideia de como se louva Exu. É com batuque, bebida, com o santo baixando, ou essa é uma visão imposta através de brancos preconceituosos?

O importante é que Paulinho possa exercer sua religiosidade. Possa se negar, por exemplo, a participar da Ave Maria e do Pai Nosso gritado pelos companheiros.

Temos dois casos de assassinatos recentes no Brasil. E a repercussão mostra o preconceito. Lázaro, o assassino em série, é criticado por supostamente pertencer a religião afro. Dizem que sua fé ou seus cultos têm a ver com os crimes que cometeu. E nada se fala da crença da deputada Flordelis, terrivelmente evangélica, ter influenciado no suposto assassinato de seu marido.

Que cada ser humano tenha direito a exercer sua religião.

Que Paulinho possa cultuar Exu, como outros cultuam Nossa Senhora Aparecida. Por coincidência, ambos negros.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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