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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

São Paulo: Tchê Tchê foi uma comédia de erros do início ao fim

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Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

06/04/2021 09h47Atualizada em 06/04/2021 17h04

Está praticamente definida a ida de Tchê Tchê para o Galo. Sua passagem pelo São Paulo é uma sucessão de erros que nada tem a ver com suas qualidades ou defeitos como jogador. Eu não sou fã, mas também não o vejo como o único culpado por tantas decepções do último ano.

1) Em abril de 2019, o São Paulo o comprou por 5 milhões de dólares (22 milhões de reais) pelo então jogador do Dínamo de Kiev. Um time endividado não poderia gastar tanto. Ainda mais em dólar.

2) Foi um pedido de Cuca, contratado em fevereiro de 2019. Time endividado não pode aceitar todos os pedidos de treinador. Time rico também não. Em setembro, Cuca deixou o clube. Pediu demissão. E o jogador fica. Tchê Tchê não é um bom exemplo, pois poderia dar certo com outros treinadores. E Calazans? Cuca pediu, usou por 45 minutos e o clube continuou com um jogador sem nível técnico para a Série A

3) - O São Paulo pagou 1,5 milhão de dólares. Não conseguiu pagar mais. Fez um acordo. Não honrou o acordo.

4) O real entrou em processo de desvalorização em relação ao dólar.

5) Os 3,5 milhões de dólares restantes já valem 21 milhões de reais. Ou seja, mesmo pagando 1,5 milhão de dólares, a dívida, em real, voltou ao patamar inicial.

6) O Dínamo de Kiev foi à Fifa. O São Paulo precisa pagar para evitar sanções econômicas e esportivas. Foi o que aconteceu com o Cruzeiro.

7) Júlio Casares definiu a situação: o dinheiro da venda de Helinho servirá para pagar a dívida de Tchê Tchê. Vende-se alguém de 20 anos para pagar um outro, de 28 anos.

8) O São Paulo vai ceder Tchê Tchê ao Galo. Receberá 500 mil reais se o jogador cumprir 25 jogos. Não é difícil.

9) O Galo vai pagar salários integralmente. O que o São Paulo trata como uma conquista, é o mínimo.

10) O empréstimo é com preço fixado de 3,5 milhões de dólares. Ou seja, dois anos depois de sua contratação, Tchê Tchê tem uma desvalorização de 30% (o São Paulo pagou cinco e vai vender por 3,5). E ainda vai descontar os 500 mil que receberá caso o jogador complete 25 jogos.

11) O empréstimo é até maio de 2022. Se o Galo não optar pela venda, Tchê Tchê volta. E terá contrato até abril de 2023. Em outubro de 2022, poderá assinar pré contrato com outro clube. E o São Paulo nada receberá. Para evitar isso, o São Paulo deveria ter expandido o contrato.

12) O pior de tudo é a constatação de que pouco ou nada melhor poderia ter sido feito. Quem não tem dinheiro, não tem poder de negociação. O patrocinador do Galo é a MRV, do Grupo Menin, o mesmo que é dono do Banco Inter, que ofereceu uma merreca para continuar patrocinando o São Paulo.

13) A lição que fica: time pobre não pode contratar em dólar. Lembrem-se de Juanfran.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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