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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Dorival Jr questiona número de mortos da Covid e recomenda livro do Bope

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Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

26/03/2021 04h00Atualizada em 26/03/2021 18h46

No dia 14 de agosto do ano passado, Dorival Jr estava dirigindo um treino do Athetico e notou que um dos médicos do clube acenava fortemente para ele.

Caminhou até ele e ouviu o que ninguém - principalmente agora - deseja ouvir. "Seu teste deu positivo. Pode ir para casa".

Covid. Quarentena de duas semanas. "Não senti nada. Problemas para respirar, cansaço, nada".

Quem sentiu foi o Athetico, que perdeu os quatro jogos seguintes. Dorival estava fora de três deles e Lucas Silvestre, seu filho e auxiliar, também infectado, de dois.

Mesmo assim, foram demitidos. "Fomos campeões dd Estadual e estávamos liderando o Brasileiro após três rodadas. Perdemos para Santos, São Paulo e Palmeiras, e veio a demissão. Mas não foi por isso, não. Estava faltando sintonia, não deu certo mesmo".

Demitido após Covid, Dorival nega injustiça. E, de certa forma, nega até a própria Covid. Ou, pelo menos, sua intensidade.

Você, que foi um dos primeiros infectados, está assustado com 300 mil mortos?

"Acho que fui o segundo no meio do futebol. Antes, teve o Ney Franco. Não dá para acreditar em tudo. Já ouvi relatos de pessoas de dentro dos hospitais de que pessoas morrem por outra coisa e dizem que é Covid"

E a falta de vacinas?

"Todo mundo está trabalhando para resolver isso. Precisa ser vacina comprovada".

Dorival espera voltar ao trabalho no Brasileirão, que começa em 29 de maio. E enfrentará uma dura concorrência. Palmeiras, Santos, São Paulo, Inter e Athetico têm treinadores estrangeiros. Sobram 15 vagas. "Não tenho nada contra treinadores estrangeiros. É um bom intercâmbio. Aprendemos com eles e eles com a gente. O bom é que agora podemos ir para fora também"

Ele se refere aos cursos da CBF. " Eles melhoraram muito e agora a nossa licença permite atuar fora do Brasil".

O que incomoda Dorival é quando os treinadores brasileiros são tratados como atrasados ou inferiores.

"Estamos longe de ser o maior problema. Não somos perfeitos, mas quem é? O modelo de gestão dos clubes não é ideal. Eles analisam resultado e não o desempenho. O trabalho não é analisado. O Abel Ferreira, do Palmeiras, fala muito bem sobre o assunto".

Dorival se prepara para a volta vendo muitos jogos e lendo bastante. Nada de livros sobre táticas ou aqueles que dissecam o trabalho de treinadores como Klopp ou Guardiola.

"Isso eu não leio, não. Leio outro tipo de livros, que podem me ajudar tambem."

Um exemplo?

"Vá e Vença, de Paulo Storani. Ele comandou o Bope e o livro é fantástico para quem vive no mundo da competição. Fala sobre liderança. Uso muito nas minhas palestras."

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