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O culto a Fernando Diniz é inexplicável

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Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

21/01/2021 12h32

Hoje, eu me lembrei da Dona Aparecida, mãe do Ângelo Domingos Banchi, o Tico, meu colega de colegial, de xadrez, de sinuca no bar da Aurorinha e Bee Gees. "Don't forget tô remember".

Tico e Zé Roberto, outro grande amigo, moravam longe de mim. E eu andava todo dia a Rua da Estação inteira para encontrá-los e viver esses momentos que são presentes hoje, 50 anos passados. Foram bons demais.

Dona Aparecida tratava o "Tiquinho" (com sotaque italiano) com leite e mel. Era super protegido. Diz a lenda - é só uma lenda - que um dia, nos exercícios do Tiro de Guerra, o sargento Moacyr (que se achava poeta) gritou direita volver e o Tico foi pra esquerda. E dona Aparecida disse: "meu Deus, só o Tiquinho acertou, o sargento precisa treinar melhor os meninos".

É parecido com o que vemos com os cultuadores de Fernando Diniz. Ele está sempre correto. Palmeiras e Santos estão na final da Libertadores. Dois times que utilizam a transição direta e a velocidade pelos lados.

Eles estão errados e Tico, ou melhor, Fernando Diniz está correto, com seu jogo picadinho?

O Grêmio tem volantes talentosos como Darlan, Maicon e Matheus Henrique. Trocam passes na defesa, mas nada comparável àquela harakiri do São Paulo.

O Galo, de Sampaoli, também tem jogo construído desde trás, mas nada daquele infartante toque toque dentro da área.

Todos estão errados. Só o São Paulo de Diniz está correto.

No futebol ou na vida, não existe nada totalmente certo ou totalmente errado, a não ser um disco de Aldir Blanc ou um discurso de Bolsonaro.

E, para os dinizistas o que seu Mestre determina. O Modelo está sempre certo. Não necessita ajustes. E, se não dá certo ainda não chegou a hora de dar certo. Precisa de tempo.

Ou então, quem disse que não deu certo? O passe curto está lá, as triangulações estão (estavam) lá, a harmonia geométrica, o seno, o cosseno e a hipotenusa em perfeita harmonia. Mercúrio em perfeita conjunção com Áries.

Título é só um detalhe.

O que vale é o desempenho.

Então, vamos falar de desempenho. Diniz está no panteão onde habita Marcelo Bielsa!?

Mas o que existe de tão bom no Dinizismo? Pergunto de coração aberto.

A posse de bola?

A pressão alta? (Só se for a minha em dia de jogo).

As triangulações?

O jogo apoiado?

A construção desde os pés de Volpi?

Nada disso foi inventado por ele.

Na verdade, a ausência de títulos e de temporadas consistentes, transformam Fernando Diniz em um mau executor de ideias alheias.

Por que o culto?

Só se for pelos gritos.

Um grito parado no ar.

Menon