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Casares: "Trouxe meio bilhão e nunca tirei um centavo do São Paulo"

Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

10/07/2020 04h04

O blog entrevistou Júlio Casares, candidato a presidente do São Paulo

Se vencer, será presidente remunerado?

Sim. Vou abrir mão do meu emprego atual, onde recebo muito mais do que receberei. A ideia é trabalhar com dedicação exclusiva. O São Paulo não é bico. Haverá diretores remunerados contratados no mercado. Conselheiro remunerado, não. Isso é uma chaga no São Paulo, não teremos mais.

Vamos relembrar o caso Fareast. O São Paulo pagaria uma comissão para assinar com a Under Armour. Era de 15% e poderia chegar a $16 milhões. Você assinou esse contrato que foi rejeitado. Foi prejudicial ao clube?

Eu fui diretor de marketing por dez anos e trouxe $500 milhões ao São Paulo. É o valor da dívida atual. Nunca tirei um centavo do clube.

Quanto ao caso da Fareast, vou explicar. O São Paulo vivia uma situação atribulada com a Pênalti, que fornecia material esportivo. Estava negociando com a Under Armour e o presidente Carlos Miguel Aidar começou a negociar com a Puma. A Under Armour se retirou. E o São Paulo ficou em uma situação ruim, poderia ficar sem fornecedor. Então, a empresa Fareast ofereceu seus serviços para buscar um acordo com a Under Armour. Era um agente, como tantos que ajudam em negociações com jogadores. O Conselho vetou. Nenhum tostão foi pago. Não fiz nada de errado. Se quisesse lesar o São Paulo, tentaria durante o meio bilhão de reais que trouxe para o clube.

Em 2004, você disse que, em 15 anos o São Paulo teria a maior torcida do Brasil. E criou o termo Soberano. O que deu errado?

Não criei o termo Soberano. Fizemos um DVD com as conquistas da época e a produtora deu este nome. Qual o erro, se o São Paulo ganhava tudo naquele momento?

Quanto á torcida, nós tínhamos pesquisas que mostravam o São Paulo na liderança no segmento de 5 a 11 anos. Fizemos projetos para incentivar e ampliar. Havia o contrato com a Warner (Pernalonga e Tas), Batismo Tricolor, Torcedor do Futuro, Embaixadas tricolores, com seções infantis e convênios com escolas públicas e privadas. Tudo foi abandonado. E, além disso, o São Paulo deixou de ser competitivo esportivamente falando. O clube precisa de um plano diretor contínuo, coisa de 25 anos, não pode ser descontinuado.

Para enfrentar a dívida, você fala em auditoria, alongamento e refinanciamento. Isso o que todo cidadão comum faz no banco. Não falta ousadia?

Não existe mágica, não. Precisa ter austeridade, precisa ter coragem para assumir a austeridade. Reformulando a dívida, é possível ter um fôlego financeiro mensal. E o marketing precisa melhorar, arrecadar mais. Haverá metas duras a serem cumpridas.

Fala-se muito em modernidade e que os clubes devem ser sociedades anônimas. E também em separar o clube esportivo do social. E você quer levar dinheiro do patrocínio para o social.

O Barcelona não é sociedade anônima e o Figueirense era. Imagina o São Paulo, com dívida de $500 milhões virar sociedade anônima. Chega alguém lá e compra o clube.

Em relação ao social, de cada contrato novo de patrocínio, 5% será destinado só social. Terá uma receita própria. Não será como hoje, quando o presidente precisa arrumar $50 mil para fazer a festa italiana, por exemplo. O diretor social vai cuidar disso, eu estarei focado no futebol, no marketing e no pagamento da dívida.

(A entrevista continua amanhã)

Menon