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Recorde no YouTube e vencer sertanejos lava a alma de futebol "sujo"

Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

09/07/2020 12h10

Se o assunto é sofrência, o Fla-Flu ganhou o duro duelo contra Marília Mendonça. Nos pênaltis ou nos acréscimos. A transmissão da decisão da Taça Rio teve 3,6 milhões de acessos contra 3,3 milhões da cantora de "Infiel".

E por que sofrência? O futebol é alegria, a comparação seria melhor com um grande "arraiá" comandado por Gilberto Gil, uma grande roda de samba com Paulinho, Zeca, Martinho, Arlindo e Jorge, ou um happening libertário dos anos 60.

Pois transformaram nossa alegria em sujeira. Jogo ao lado de hospital de campanha, grito de gol simultâneo a grito de morte, jogo sem público, medidas provisórias, recursos ao tribunal, time que perde o sorteio recorrendo ao tapetão, TV Globo abrindo mão, sendo obrigada a transmitir e depois caindo fora novamente e até horas antes do jogo sem saber qual Tv, Fla ou Flu, mostraria o jogo decisivo.

Tem que ter muito amor para superar tudo isso. Imagine que você esteja em um restaurante e que haja disputa de liminares para decidir qual garçon é responsável por sua mesa. Você voltaria?

O brasileiro que gosta de futebol, como o sertanejo de Euclides da Cunha, é, antes de tudo um forte. Resiste a tudo e a todos. Até a uma transmissão horrível, com poucas câmeras e sem citar o nome dos jogadores do Flamengo.

O streaming é antijornalismo, mesmo se lembrarmos que a Globo chegou a escalar Júnior como repórter em decisão do Flamengo. E Grafite em decisão do Furacão.

Os 3,6 milhões são como os 300 de Esparta. Guerreiros resilientes. Se o jogo estivesse na Globo, com 30 pontos de audiência, seriam 21 milhões. Será que os patrocinadores gostaram de mostrar sua marca para apenas 17% do público possível? São pragmáticos ou, como nós, malucos que adoram sofrência?

Menon