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MAC: apoio a Diniz, sem pressa por Ceni e mudança de diretores

Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

17/06/2020 11h50

Amigos,

Fiz uma entrevista com Marco Aurélio Cunha, pré-candidato à presidência do São Paulo. A intenção, antes de questionamentos duros, é expor suas ideias. As mesmas perguntas serão feitas a Júlio Casares, também pré-candidato, assim que ele me receber.

1) Por que deseja ser candidato?

A candidatura se fortaleceu após um movimento interno no clube. Fui convidado pelos conselheiros Jacobson, Ferreira Alves e Médici para encabeçar uma chapa. E há também um movimento de fora para dentro, com são-paulinos que pedem minha candidatura. No táxi, shopping, nas mídias sociais. Um apelo muito grande. Não posso passar minha vida sem tentar.

2) Você é candidato de oposição ao Leco?

Eu votei no Leco e esperava uma gestão mais vencedora. Não se deu, por várias razões. Mas o mandato dele acabou e não faz sentido fazer oposição. Minha oposição é à chapa da Situação, que tem a presença de conselheiros e diretores que participaram desta e de todas gestões anteriores e que desejam continuar. Tem gente boa? Tem. Mas o São Paulo precisa de renovação. Conselheiros e diretores serão mudados. Sou oposição a quem deseja continuar, apesar dos fracassos.

3) Como fazer o São Paulo ser campeão?

Participei de um ciclo vitorioso, de 85 a 89. E de outro, a partir de 2002. Em ambos, a situação financeira não era boa. Havia dificuldades.

Nos dois ciclos, é fácil ver que havia jogadores muito competitivos, apesar de não terem o brilho das grandes estrelas. Em 1986, o São Paulo venceu o Guarani nos pênaltis, com a cobrança de três reservas, Fonseca, Rômulo e Vagner Basílio. Em 2003, contratamos muitos jogadores jovens e até desconhecidos. E fomos campeões do mundo com Fabão, Edcarlos e Lugano. São tão importantes como craques que falham na hora H. É importantíssimo ter craques como Daniel Alves, mas também coadjuvantes de mentalidade vencedora.

Como enfrentar a dívida?

É uma situação extremamente preocupante. O primeiro passo é definir o perfil. O que é curto, médio e longo prazo. E começar uma grande renegociação com juros mais baixos.

É preciso diminuir o custo operacional. Temos excelentes funcionários, muitos significativos e iremos ficar com os mais importantes. E é preciso buscar dinheiro. Vivemos de uma tríade formada por patrocinador + venda de jogadores + cota da televisão. E tem o dinheiro do programa Sócio Torcedor, que não soubemos trabalhar bem.

Precisamos de outras fontes, como e-commerce, novidades tecnológicas e uma nova relação com os torcedores. Precisamos de um trabalho operacional importante.

É a favor de aumentar o colégio eleitoral?

É estranho. Se não abre, fica pouco democrático. Se abre, o clube fica sujeito às emoções de quem tem um interesse momentâneo pelo clube, quem age a partir de resultados apenas.

O assunto precisa ser estudado. O sócio torcedor pode ter direito a voto em um novo ciclo, se tiver uma assiduidade comprovada. Pode-se criar uma metodologia para isso.

Dizem que o sistema do São Paulo é ultrapassado, mas foi assim que se construiu a grandeza do clube.

Rogério Ceni será o novo treinador?

Aprendi com o ex-presidente José Douglas Dallora que o melhor técnico do São Paulo é o que está no cargo. Vamos respeitar o Diniz, que tem feito bom trabalho.

E é preciso respeitar também o técnico dos outros clubes. Respeitar o Fortaleza, que acolheu o Rogério e teve ótimos resultados. O Rogério será técnico do São Paulo um dia. Com certeza. Mas é preciso esperar a hora certa.

Você será presente no vestiário ou o executivo de futebol terá plenos poderes?

Ninguém tem plenos poderes. Nem o Presidente da República. Precisa estar em concordância com as aspirações da sociedade. Eu estarei no vestiário porque sempre fui ligado ao futebol. Estarei apoiando e cobrando, mas de maneira discreta. Sei que o vestiário é um lugar sagrado.

Como avalia o trabalho de Raí e Lugano?

Se você olhar os resultados no campo, foi mal. Mas eu não posso julgar porque não acompanhei. Não sei quais foram as circunstâncias, se tiveram de se submeter a desejos e pressões.

São duas pessoas corretíssimas, o Lugano é ótimo para representar o clube na Conmebol. O Raí não pode nunca ter sua imagem arranhada.

Como vai tratar a base?

Cotia é a parte mais importante do São Paulo. Ali se formam jogadores espetaculares, que não dão recall, que não batem e voltam.

É importante perceber que um time de futebol abarca na mesma escalação jogadores de 17 a 37 anos, algo assim. Então, é difícil ter sete ou oito titulares vindos da base. São revelações de 28 anos lutando com jogadores de 28. Por isso, é importante ter um time sub-23 porque nem todos estão maduros ao mesmo tempo. Alguns, como Hernanes e Jean demoram mais.

Menon