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Felipe Neto e Neymar: injusta e inútil cobrança

                                 Marcus Thuram protestou contra a morte do cidadão negro americano George Floyd, vítima da truculência da polícia de Mineápolis                              -                                 AFP
Marcus Thuram protestou contra a morte do cidadão negro americano George Floyd, vítima da truculência da polícia de Mineápolis Imagem: AFP
Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

01/06/2020 14h43

Felipe Neto x Neymar: briga que envolve milhões de seguidores nas redes sociais. Briga, não. Neymar não respondeu às cobranças de Felipe Neto, que pedia posicionamento sobre a questão racial a partir do assassinato de George Floyd, um segurança negro por um policial branco.

Inútil cobrança.

Neymar não se considera negro. E, sendo branco, negro ou rosa choque, raramente se posicionou sobre assuntos polêmicos. Em uma entrevista à Vogue, afirmou que, se pudesse mudar alguma coisa no mundo seria o racismo "Acabaria com o racismo. Poucas coisas no mundo são tão deploráveis como o racismo".

Quando fala sobre política, está na margem direita do rio. Apoiou Aécio e Bolsonaro. E talvez nem seja por política, há questão de renegociação de impostos que não foram pagos.

Injusta cobrança.

Exigir que um negro brasileiro rico tenha o mesmo tipo de posicionamento de um negro rico americano é desqualificar e ignorar a questão histórica.

Nos EUA, a luta contra o racismo teve heróis como Malcolm X e Martin Luther King. Os negros buscaram nas ruas a igualdade. Com enfrentamento e sangue.

Ao contrário de lá, aqui os negros não foram obrigados a ficarem em lugares pré determinados em ônibus e não enfrentaram a KKK.

Aqui, o ódio foi disfarçado. Aqui, o país da América em que a escravidão mais resistiu, a heroína é uma princesa branca.

No Brasil, historicamente, o negro famoso não lutou por igualdade. Ele se contenta em ser aceito. É o que Pelé fez. É o que Neymar faz.

Lá, exigem ser chamados de afroamericanos ou afrodescendentes. Aqui, tudo bem ser chamado de moreno, negrão, neguinho, nega do cabelo duro, noite ilustrada ou bola de neve.

São caminhos diferentes.

Na verdade, um branco exigir que um negro se posicione sobre racismo é a reafirmação da suposta superioridade moral e intelectual da casa grande sobre a senzala.

Menon