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"Vai que os caras empatam": Lugano diz por que não verá SP x Liverpool

Final São Paulo 1 x 0 Liverpool será reprisada, mas Lugano não quer ver - Junko Kimura/Getty Images
Final São Paulo 1 x 0 Liverpool será reprisada, mas Lugano não quer ver Imagem: Junko Kimura/Getty Images
Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

22/05/2020 04h00

A Globo passa no domingo, as 16 horas, o jogo em que o São Paulo ganhou seu terceiro título mundial, com vitória por 1 x 0 sobre o Liverpool.

A audiência será muito boa, mas não terá o "reforço" de um dos mais importantes personagens daquele jogo em Yokohama, dia 18 de dezembro.

"Nunca vi aquele jogo novamente. Não curto olhar para trás, não gosto de nostalgia. E vai que os caras empatam o jogo", diz Diego Alfredo Lugano Moreno, que formava o trio de zagueiros com Edcarlos e Fabão".

O "medo" de Lugano se justifica. O Liverpool teve mais posse de bola, muito mais. O que ocasionou a tese de que o Flamengo de Jorge Jesus conseguiu jogar de igual para igual com o Liverpool, coisa que os três últimos campeões mundiais brasileiros - Corinthians, Inter e São Paulo não conseguiram.

Um argumento que não afeta Lugano. "Eu sou uruguaio, não tenho essa mentalidade de ganhar ofensivo ou defensivo. Precisa ganhar com as armas adequadas. Os três últimos campeões e também o Flamengo tiveram dificuldade em se impor. É uma realidade. Todos enfrentaram esse desnível econômico com a Europa".

Mas foi um massacre, mesmo?

"Jogamos como sempre, sólidos e firmes. O jogo foi equilibrado até os 15 minutos do segundo tempo, quando eles acionaram o jogo direto. No final, entrou o Crouch, de dois metros. Nós não conseguimos mais segurar a bola no campo deles e restou uma marcação forte próximo da nossa área. Eram nossas ferramentas. Se mudássemos, perderíamos. E todos que estavam ali, estavam metalizados para ganhar".

E você merecia ter sido expulso após o carrinho em Gerrard?

"Eu sabia que não seria expulso. Não existe falta mais ou menos dura, existe o momento psicólogico do jogo, que afeta jogadores e árbitro. Então, eu havia levado uma cabeçada de Morientes. O juiz chamou a gente para conversar. Eu disse, então não foi nada? Então, eu também posso, gosto assim, valeu. E, no lance anterior, o Júnior sofreu falta na área e o juiz não deu. Final de Mundial é assim, só dá pênalti, se for muito pênalti, só dá vermelho, se for muito vermelho".

A sucessão de bolas na área e defesas de Ceni causaram, segundo Lugano, reações diferentes. "Eles iam se desesperando e nós, surpreendentemente, ficamos calmos. Nosso preparo psicológico era muito bom".

Final de jogo e uma surpresa. O São Paulo comemorou muito e ninguém cumprimentou os ingleses. "Eles é que vieram cumprimentar a gente. É outra educação".

Depois, a festa. No hotel e em São Paulo. "Na chegada ao Brasil, foi uma surpresa ver a cidade parada. Foi ali que tomei a real dimensão do feito, do que significava aquela vitória, o título mundial, aquela conquista enorme. Nós, jogadores, ganhamos apenas um jogo, somos muito menores do que o título".

São 15 anos já. Muitas lembranças. Uma delas, eterna. "Mineiro foi o herói do título e não desceu para comemorar no hotel, com a gente e com a torcida. Ficou no quarto, enrolado no cobertor e trocando mensagem com a filha, pelo Messenger. A paz interna do dever cumprido".

Menon