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Menon

Sou são-paulino

Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

11/05/2020 04h00

A primeira lembrança que tenho da minha existência é da sala do Vô Bacci e da Vó Stela, em Casa Branca. Havia muita linguiça pendurada em varais. Fabricadas por ele. E uma roda de pessoas. No meio dela, incentivado por meu pai, eu recitava uma estranha cantiga:

Maurinho, Amauri, Gino, Zizinho e Canhoteiro.

O ataque do São Paulo campeão de 1957, com vitória por 3 x 1 sobre o Corinthians. O jogo foi em 29 de dezembro, um mês após meu aniversário de quatro anos. Mal sabia que o próximo título só viria 13 anos depois.

Então, sou são-paulino há mais de 60 anos. Sofri com um ataque formado por Miruca, Terto, Téia e Paraná, (Mixuruca, Torto, Tetéia e Paraná, segundo Quinho, meu primo) e me lambuzei com craques como Pedro Rocha, Gérson, Careca, Raí, Muller, Murici e tantos outros.

Torcer para o São Paulo é um segredo a muitas vozes. Muita gente sabe disso. Nunca alardeei, mas também nunca neguei. Mas também há quem não sabia. Já fui "xingado" de palmeirense, corintiano, santista e, mais recentemente, de paulista, por aqueles que não entendem a diferença entre Landim e Flamengo.

Mas, por que esconder até agora?

Mas, por que revelar agora?

Eu não dizia abertamente meu time porque o nível de agressividade é muito grande nas redes sociais. Pessoas que não dizem o nome, pessoas escondidas em números e códigos, não aceitam uma opinião contrária. E, de frente ao computador ou no celular, com um suquinho de laranja trazido pela mamãe, ganham enorme dose de coragem.

E passam a te ofender. Fui chamado até de bêbado. Justamente eu, que, devido a uma doença de fígado, já curada, não bebo nada desde 1977. 24 de setembro.

Resolvi dizer meu time por uma questão de transparência. Assim, o leitor tem um dado a mais para julgar o que escrevo. Um dado a mais para suas teorias conspiratórias.

O fato é que sou jornalista há 35 anos, 32 deles na área de esporte. E tenho muito mais orgulho da minha profissão do que de meu clube. Tenho responsabilidade e dedicação totais com minha profissão. Com meu time? Zero. Nenhum compromisso. Apenas amor.

Eu acho os conselheiros do São Paulo algo muito daninho para o clube. E não é por ser jornalista. É por ter olhos abertos. Eu acho Pedro Rocha espetacular porque...ele era espetacular. Basta ter visto, independentemente da camisa vestida.

Continuarei são-paulino até 2053, quando completarei meu primeiro centenário.

Espero ter ainda esse espaço. Porque ser jornalista é o que sei fazer. Muito mais do que torcer.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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