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Estamos sós, sem pêsames

Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

01/04/2020 05h06

Mãe, nem sei falar isso aí direto.

Pois vai aprendendo. Pode ser difícil pra você, mas pra sua avó é importante.

Nem deu tempo de falar. A avó me abraçou e soltou um berro, que mais parecia um uivo. Foi assim com todos os netos.

O seu Joaninho havia morrido. O nosso vô Bacci. E a gente se surpreendeu com aquele grito superlativo, exemplo de um amor hiperbólico. Para nós, crianças testemunhas de tantas brigas entre Stela e Bacci, amor era o que se via em fotonovelas.

Houve outras perdas. E nunca um meus pêsames. Foi trocado por meus sentimentos. E, depois, por um silente abraço.

As pessoas são assim. O ser humano é assim. A dor aproxima.

Por isto, me choca tanto o presidente não haver nunca, em um momento sequer, se dirigido aos parentes dos 201 mortos para dizer uma palavra de consolo ou solidariedade. Meus pêsames, meus sentimentos, meu abraço....

Nada.

De quem nada se espera é de onde nada vem.

Estamos sós. Só temos a nós mesmos.

Menon