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O triste fim de Joel Camelão

Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

29/03/2020 06h24

O Caveirinha, do bairro Siriri, tomou uma atitude inédita em Cascavel. Seu novo treinador seria escolhido por eleição direta.

Dois candidatos se inscreveram: Renato Arrigo que tinha o apelido por ser fã do treinador italiano. Estudava bastante, com livros e vídeos. Tinha feito um bom papel no Campo de Aviação F.C, outro time da cidade.

Joel Camelão também queria a vaga. Vereador por muitos anos, sem projeto algum, não tinha currículo algum. Colocou os três filhos para falar mal de Arrigo, inventou mentiras e venceu.

No primeiro treino, afastou Toninho Trator, benção gay. Mandou a fisioterapeuta Poliana embora. E dispensou o trio Corisco, Valdir Moreno e Jorginho. Todos negros.

Tudo coincidência, tendeu?

O time não engrenou. Foi de mal a gente pior. A torcida deixou de apoiar. Quem ousava criticar era ofendido e perseguido pelos filhos.

Chegou então um surto de pneumonia. Muita gente ficou doente. Houve recomendações da secretaria municipal de saúde para o campeonato parar. Dr. Adalberto foi enfático. Fiquem em casa.

Camelão bateu o pé. Seu time entraria em campo. Era preciso ajudar os patrocinadores. Quem manda sou eu, repetia Camelão.

E chegou o dia da final. O estádio estava vazio. Vila Braga não apareceu.

Ganhamos por WO, gritou Joel Camelão no vestiário. Vamos subir, taokey?

Eu não vou, disse Gato Gordo.

Eu não gosto de ganhar roubado, falou Ratão.

João Cró, Zulu e Pedrinho Chinês deram as costas.

Camelão começou a ficar apoplético. Tem de jogar, eu é que mando...

Gritava, espumava e os jogadores, em fila indiana, saíam. Paulo da Leiteria, Valdirzinho, o Garrincha Loiro, Vallim, Carlos Henrique, Biro Biro, Boston e Cristiano, o craque, saíram do vestiário, empurraram os filhos de Camelão e foram para suas casas.

Com olhar vazio, espumando e destilando ódio, Camelão ficou ali por dias. Quando descobriu que não mandava mais, foi dirigir o Simão Bacamarte F.C, time da Casa de Repouso.

Está lá até hoje.

Menon