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Craques brasileiros não praticam solidariedade em tempos de coronavírus

Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

23/03/2020 06h41

Marcos, eterno ídolo palmeirense resolveu "adotar" dez pessoas por tempo indeterminado, pagando um salário mínimo a cada uma.

Fernando Prass, também ídolo verde, abriu suas contas em redes sociais para empreendedores em dificuldade.

Neymar bateu palmas para profissionais de saúde envolvidos na luta contra o coronavírus.

E para por aí o envolvimento dos atletas brasileiros. Não sou juiz de ninguém, mas poderiam e deveriam fazer muito mais.

Muitos jogadores de futebol vêm de um extrato social pobre. Como eles, havia milhares. Para cada Neymar, Gabriel Jesus, Gabigol que chegou ao estrelato, muitos ficaram para trás.

E vibram e gritam e choram a cada gol dos que "chegaram lá". De uma maneira exagerado, pode-se dizer que cada fã é responsável pela riqueza de um ídolo. É por causa de seu amor que os craques conseguem novos contratos futebolísticos e publicitários.

É hora de devolver.

Se Gabriel Jesus doasse 5% de seu salário mensal, apenas uma vez, salvaria vidas na periferia em que jogava bola.

Quantas máscaras, quantas luvas, quantos milhões de litros de gel poderiam ser distribuídos em São Cristóvão ou Belo Horizonte, com uma doação de Ronaldo? O cara é dono de um time de futebol na Espanha.

Neymar poderia montar um hospital de campanha em Santos, com 1% do que ganha por mês. Camas, remédios, lençóis, kits para testes.

Todo esse dinheiro não faria falta. Poderia até ser conseguido com ações de marketing. Os jogadores da seleção poderiam lançar uma pulseira e o dinheiro arrecadado ser doado.

Mas, por quê um jogador faria isso, se as suas referências não se mexem? A CBF, o professor Tite...

Os jogadores vivem em uma bolha. São milionários que agem como milionários. Qual empresário brasileiro, qual banqueiro brasileiro fez alguma coisa. Cadê o exemplo?

Xuxa doou 1 milhão.

Rihanna doou 25 milhões de verdinhas.

Lewandowski, R$ 5,5 milhões.

Rudi Gobert, infectado, doou 500 mil dólares.

Há bons e maus exemplos. É só escolher.

Menon