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Mauro Naves merecia mais respeito

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Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

06/02/2020 04h00

É um reflexo condicionado. Você pode estar tranquilo, em casa, em frente da televisão. Conversando com os filhos, tomando um milk shake ou jogando dominó. Na paz. Então, entra no ar aquela música do plantão do Jornal Nacional.

O pânico se instala. Todo mundo abandona o que está fazendo e se planta em frente da televisão.

O JN tem força impressionante. Para muitos brasileiros, é a única fonte de informação. A Voz do Brasil.

Imagine você ser demitido ao vivo, no Jornal Nacional, sem nenhum aviso prévio (no sentido literal do termo).

Foi o que aconteceu com Mauro Naves, com 31 anos de casa. Foi triste e vexatório ser anunciado no Jornal Nacional. Não anunciou ali que eu estava demitido, mas a forma [com que a Globo] falou ali eu entendi que não iria ter volta", disse ao podcast de Ivan Moré, que também deixou a Globo.

Mais que vexatório, é humilhante. Algo parecido se passou comigo, em escala muitas vezes menor.

Em 2006, trabalhei na Copa do Mundo da Alemanha. Trabalhei bem, cobrindo a Argentina de Lionel Messi, um garoto imberbe. Fiz a eliminação do Brasil e estava na final, no jogo da cabeçada de Zidane em Materazzi.

Na volta, viram uma diferença de dez euros na minha prestação de contas. Fui demitido sem que meu chefe se dignasse a falar comigo. A notícia me foi dada pelo pauteiro.

Me senti humilhado e ofendido. O cara poderia ter telefonado, pelo menos.

A situação do Mauro foi muito pior. Nem quero entrar na análise do motivo da demissão. Tenho certeza, por haver convivido com ele em muitas coberturas, que o Mauro nada fez de errado. Estava em busca de notícias.

E como alguém pode mostrar a sua verdade quando o canhão Globo diz que "evidências de que suas atitudes neste caso contrariaram a expectativa da empresa sobre a conduta de seus jornalistas"?

É a execração em praça pública. Mauro Naves, ótimo profissional e amigo não merecia. No mínimo, uma conversa. Uma explicação.

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