Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Siga nas redes
Só para assinantesAssine UOL
OpiniãoEsporte

Políticos de carona na onda do VAR com discussão sem nexo. Não caia nessa

Na CPI das Apostas, o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Wilson Seneme, disse que em uma partida de futebol o árbitro de vídeo pode selecionar as imagens que mostrará ao de campo. Essa obviedade gerou um frenesi, com políticos considerando algo rotineiro como absurdo.

Sim, o VAR pode, e deve, levar ao conhecimento do apitador as imagens elucidativas, descartando as que não ajudam a eliminar qualquer dúvida. Ao tomar conhecimento de algo básico, houve quem falasse até em investigação. Uma enorme pirotecnia sem sentido, sem nexo, algo bizarro.

É óbvio que cabe ao árbitro de vídeo selecionar as imagens mais esclarecedoras e mostrá-las ao de campo. Se ele apresentar tudo, inclusive as que nada esclarecem, levará mais tempo para tomar uma decisão, algo péssimo, desnecessário. E se o árbitro principal pedir para ver outros ângulos, eles serão apresentados, ora.

Está, inclusive, nas instruções dadas aos árbitros e seus auxiliares, no protocolo do VAR, que: "Se o árbitro decidir ver o replay, o VAR escolherá o melhor ângulo e a melhor velocidade de replay; o árbitro poderá solicitar ângulos e velocidades alternativos ou adicionais".

Partimos, obviamente, da ideia de que o responsável pelo VAR é bem-intencionado, honesto. Está ali apenas para ajudar e tenta executar sua função. Se por acaso estiver disposto a manipular, ou seja, caso existam indícios nesse sentido, aí sim seria caso de investigação.

"Ah, mas o árbitro de vídeo pode induzir o de campo", alguém dirá. Claro que pode, cabe ao de campo ter personalidade para não se deixar influenciar. E se achar necessário, pedir mais e mais ângulos das imagens disponíveis na cabine do VAR.

E ainda: ao tentar convencer algo, o árbitro de vídeo não estará obrigatoriamente agindo de forma ilegal, mas apenas tentando provar seu ponto de vista, sua opinião. Como arbitragens brasileiras costumam ser intervencionistas, isso ocorre até com frequência.

Podemos e devemos debater o tema, mas o fato de o árbitro de vídeo selecionar as imagens para o de campo não significa que seja desonesto ou não que exista algo que mereça ser investigado. O futebol tem seus problemas e desse jeito a entrada de políticos desvia o foco e só atrapalha. Nada surpreendente.

Continua após a publicidade

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Deixe seu comentário

Só para assinantes