Mauro Cezar Pereira

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Corinthians e a falácia do 'maior patrocínio' master do Brasil

Era o dia 7 de janeiro de 2024. Tendo ao seu lado jogadores como Fágner, Yuri Alberto e Lucas Veríssimo, que logo depois foi embora; o presidente do Corinthians estava exultante no anúncio oficial de um novo patrocínio máster no time de futebol.

"Isso mostra a credibilidade dessa nova diretoria, de um trabalho há seis anos incansável. (...) Já era feito um trabalho estrutural, conversando com grandes empresas, com multinacionais, clubes, e chegamos a este resultado", discursou Augusto Melo.

A versão oficial era de que a Vai de Bet assumiria o pagamento da multa pela rescisão com a Pixbet. Tudo era alegria e logo vieram as comparações: R$ 120 milhões/ano contra R$ 85 milhões do Flamengo (Pixbet) e R$ 81 milhões do Palmeiras (Crefisa).

O "maior patrocínio máster do futebol brasileiro". A frase foi exaustivamente repetida, mesmo sem maiores esclarecimentos. Se o dinheiro seria apenas para o futebol masculino, se haveria pagamento de comissões etc.

Pouco mais de três semanas depois, as coisas começavam a ficar mais claras. E nada favoráveis ao Corinthians. Surge a informação de que, na realidade, caberia ao clube o pagamento da multa de R$ 40 milhões. Assim, em uma conta simples, R$ 120 milhões viraram R$ 80 milhões.

Como a Vai de Bet depositara R$ 10 milhões de luvas, o montante no primeiro ano de contrato ficaria em R$ 90 milhões. Mas em 12 de abril surgiu mais uma novidade, o pagamento de R$ 25,2 milhões a um intermediário, comissão equivalente a 7% do líquido.

O valor já caíra para R$ 64,8 milhões. Essas cifras podem ser um pouco diferentes de nossa contabilidade improvisada, alguns milhões para cima ou para baixo, mas o fato é que, na prática, nunca foi o maior patrocínio máster do futebol brasileiro.

Não, os R$ 120 milhões anuais, que significariam R$ 10 milhões mensais, na prática seriam menos. E mesmo se fossem reais, estariam longe de resolver os gigantescos problemas financeiros corintianos.

Para completar, o escândalo denunciado por Juca Kfouri em seu blog, a existência de laranja na intermediação Corinthians/Vai de Bet. Por fim, a rescisão do contrato por parte da casa de apostas. O fim do que nunca foi, na prática, o maior patrocínio máster do Brasil.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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