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Mauro Cezar Pereira

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Mauro Cezar: Brusque, STJD e o silêncio de jogadores e clubes de futebol

Celsinho: racismo em Brusque x Londrina - Ricardo Chicarelli/ Londrina FC/ Flickr
Celsinho: racismo em Brusque x Londrina Imagem: Ricardo Chicarelli/ Londrina FC/ Flickr
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Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

19/11/2021 09h41

Está no blog Lei em Campo: "O recurso do Brusque foi aceito pela maioria dos auditores em julgamento no Pleno do STJD em caso de injúria racial contra Celsinho, do Londrina. Com o resultado, o clube retoma os três pontos retirados em 1ª instância e encaminha a permanência na Série B".

A decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva foi tomada cerca de 48 horas antes do Dia da Consciência Negra e representa um tapa na cara da sociedade e de todos os que atuam de alguma forma no futebol. Pior do que a constrangedora impunidade é o perdão concedido pelos engravatados.

Quando se enfrentaram Brusque e Londrina, o meia Celsinho, do time paranaense, alegou ter sido chamado de "macaco" pelo presidente do Conselho Deliberativo do clube catarinense, Júlio Antônio Petermann. Foi até registrada na súmula pelo árbitro Fábio Augusto Santos Sá a frase: "Vai cortar esse cabelo, seu cachopa de abelha".

Brusque e dirigente foram denunciados por "ato discriminatório" e punidos pelo STJD com perda de três pontos e multa de R$ 60 mil, além da suspensão de 360 dias e multa de R$ 30 mil a Petermann. Ao aceitar o recurso brusquense, o tribunal fere sentimentos e esvazia a luta contra o racismo.

Em meio a tudo isso, o silêncio de ampla maioria da comunidade do futebol. Onde estão, agora, os jogadores, ex-jogadores e demais clubes? E aqueles que publicamente abraçam a causa em redes sociais, por que o silêncio no momento? Não seria a hora de repudiar a decisão tomada? Ou tem gente jogando só para a arquibancada, mas evitando a dividida na hora da verdade? A omissão torna tudo isso mais abjeto.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL