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Mauro Cezar Pereira

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Brasil dispara nas Eliminatórias, que têm nível fraco. Parece um "Estadual"

Neymar comemora gol contra o Paraguai - Christian Alvarenga/Getty Images
Neymar comemora gol contra o Paraguai Imagem: Christian Alvarenga/Getty Images
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

08/06/2021 23h23Atualizada em 08/06/2021 23h38

O grupo de jogadores da atual seleção brasileira é muito bom, mas não é exatamente a melhor geração, longe disso. Por isso, o jogo coletivo é ainda mais importante para uma camisa que, durante décadas e com diferentes treinadores, venceu e ergueu troféus com o jogo inúmeras vezes dependente dos (grandes) talentos individuais à disposição.

Tite proporciona conjunto à equipe. Não é (e dificilmente será) uma seleção que agrida o tempo todo (ou quase) que faça um gol e tenha uma fome enorme por outros. Mas é um time capaz de dominar os adversários e controlar as partidas. Pelo menos nos duelos contra os sul-americanos, bem inferiores em todos os sentidos, caso do Paraguai, batido por 2 a 0, gols de Neymar, no comecinho, e Lucas Paquetá, que saiu do banco desta vez, no finalzinho.

Sim, existe a Argentina no continente, mas, como ocorre há muito tempo, um dos maiores riscos para o Brasil no futebol é utilizar como parâmetro o rival albiceleste. O time treinador pelo inexperiente Lionel Scaloni é errático, fraco defensivamente e incapaz de extrair de Messi e Lautaro Martínez o que eles poderiam oferecer nas quatro linhas. Não por acaso empatou os três últimos jogos, desta vez abrindo 2 a 0 em sete minutos sobre a Colômbia e tomando o 2 a 2 no último lance do segundo tempo.

O trabalho de Tite é bem melhor, obviamente. Mas a maneira como o time lida em confrontos como o da noite dessa terça-feira, lembra o Corinthians comandado por ele. O 1 a 0 parece exercer uma forte atração sobre o treinador. Em campo o time responde à imagem do seu comandante, como ficou evidente no triunfo sobre os paraguaios.

Embora o Brasil não vencesse esse oponente fora de casa pelas eliminatórias desde 1985, fosse o time mais voraz, faminto pelo ataque, disposto a explorar o potencial de seus homens de frente capitaneados por Neymar, provavelmente derrotaria a equipe guarani por mais gols mais cedo. Tite não parece ligar para isso, o 1 a 0 nitidamente o satisfaz. Esse é o seu perfil.

O grande risco é se repetir o que antecedeu a Copa do Mundo de 2018. Ele assumiu o comando do selecionado cebeefiano no lugar de Dunga, que sequer colocara o Brasil na zona de classificação, engatou uma série de resultados e mostrou que, com um técnico capaz como é o Brasil nadaria de braçadas no continente. Mas no Mundial a história foi outra.

Como a seleção praticamente só tem enfrentado seus vizinhos, ela não é desafiada tecnicamente como poderia, e deveria. O que seria ótimo. As Eliminatórias são para a equipe brasileira algo como os Estaduais para os melhores times do país. Um certame no qual os adversários, quase que na totalidade, não têm bola para enfrentá-la.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL