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Mauro Cezar Pereira

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Após desabafo, Lisca evita rótulo de contestador: "As pessoas já politizam"

Lisca questiona tabela da Copa do Brasil - Reprodução/ Premiere
Lisca questiona tabela da Copa do Brasil Imagem: Reprodução/ Premiere
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

06/03/2021 04h00

Quarta-feira (3), Lisca "Doido" fez um desabafo, pedindo à CBF que adie os jogos da Copa do Brasil, que exigem longos deslocamentos de delegações pelo país. Na noite de quinta-feira foi tentado contato com o técnico do América mineiro, mas a assessoria do clube informou que ele não mais falaria sobre o tema, tampouco a respeito de sua celebração pela classificação sobre o Internacional, abraçando torcedores, no ano passado. Quase 24 horas depois, ele procurou o blog após ler o post publicado nesta sexta. Abaixo, a conversa.

Tentei falar contigo sobre a aglomeração, me pareceu contraditório quando ouvi sua fala na quarta-feira...
Na verdade foi um erro. Eu já havia tido o vírus e não existia essa nova cepa, que até crianças estão pegando. Os hospitais não estavam lotados, havia leitos desocupados, mesmo assim foi um erro grave. Fui repreendido pela minha esposa e pelas minhas filhas. Como não se falava em reinfecção e havíamos vencido o Internacional [pela Copa do Brasil], o clube nunca havia passado daquela fase [quartas], fiz aquilo. Mas pedi desculpas. Foi um mau exemplo.

Muita gente entendeu que você defendeu a paralisação do futebol. Compreendi que sua sugestão pelo adiamento dos jogos da Copa do Brasil...
Isso. Não defendi parar, mas adiar a Copa do Brasil. Acho muito incoerentes esses deslocamentos, pois todas as regiões estão esgoeladas. Já chegamos a viajar pela Série B e o jogador não sabia que estava infectado, mas, chegando ao lugar, saiu o resultado. E é difícil, porque você não tem onde ficar numa situação dessas. Sugeri o adiamento dos jogos da Copa do Brasil, segurar duas a três semanas. Não é momento de colocar as delegações indo de um Estado para outro, atravessando o país.

O que você achou da repercussão das suas palavras?
As pessoas já politizam. Não foi uma mensagem política. Não voto há 12 anos, desisti da política brasileira, mas as pessoas levam para o viés político. A minha preocupação é com o estado de saúde do meu grupo, tenho jogadores com mulheres que estão grávidas, meninos que moram com os pais e com os avós. Não falei em parar campeonato, acho que bem testados podemos seguir cumprindo os protocolos. Os hotéis em Minas Gerais estão vazios e não temos contato praticamente com ninguém, apesar de em Belo Horizonte existirem algumas zonas roxas, a capital fechou e outras cidades também.

Então, você confirma que não pediu a paralisação do futebol...
Não tenho poder para parar o futebol. E nem noção se deve ou não parar. Mas se as autoridades acharem que sim, eu concordo. O que acho que tenho capacidade de dizer eu disse, pedi para darem uma segurada nas viagens da Copa do Brasil.

Muitos o viram como exemplo...
Não quero ser exemplo do cara que briga. Minha intenção é apenas proteger o clube, minha comissão técnica, os jogadores e as famílias deles.

Você acha, então, que os Estaduais, pelos deslocamentos mais curtos, podem seguir, nem que os profissionais tenham que ficar em uma bolha, como fez a NBA em 2020?
Sim, nos estaduais é mais fácil, estou falando daqui, de Varginha (cidade onde o América enfrenta neste sábado, às 19 horas, o Pouso Alegre), não tem ninguém no hotel além de nós. Os quartos estão desinfetados, o risco é bem mais baixo do que fazer escala, pegar avião de carreira, sair por aí trocando de Estado. O pessoal se preocupa, claro. Comentam, falam, têm medo de ficar sem os seus empregos caso pare o futebol. É complicado.

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