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Mauro Cezar Pereira

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Lisca, que não é porta-voz da sensatez, cala-se sobre aglomeração em 2020

Lisca em ação pelo América Mineiro - GettyImages
Lisca em ação pelo América Mineiro Imagem: GettyImages
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

05/03/2021 04h00

A manifestação de Lisca, técnico do América Mineiro, clamando por um calendário sem longas viagens, teve enorme repercussão. Com distorções, reflexos do Fla-Flu político/pandêmico brasileiro.

Não foram poucos que trataram as palavras do treinador como uma defesa da interrupção dos jogos de futebol no país. Na verdade, ele sugeriu que longos deslocamentos fossem descartados.

A argumentação de Lisca, que chamam de "Doido", foi absolutamente lúcida. Como no Brasil não falta quem discurse pela saúde para debater temas ligados à pandemia com motivações políticas, o galgaram a um papel heróico.

Exagero. E não é preciso ser gênio, ou alguém destemido, para dizer que a inconsequência do governo federal tem imenso peso no cenário de mortes em recordes diários seguidos. Trata-se de uma obviedade.

Mas em 2020, quando o América se classificou para as semifinais da Copa do Brasil, eliminando o Internacional, Lisca se empolgou e foi pra galera, em aglomeração absolutamente inadequada. Houve quem entendesse aquilo como algo meramente folclórico.

Semanas depois, no programa "Bem, Amigos", do canal Sportv, o apresentador Galvão Bueno praticamente o escalou para se desculpar pelo ato. Com uma levantada de bola daquelas, Lisca mostrou que podem chamá-lo de "doido", mas não de bobo. Então, se desculpou.

Cômodo. Curioso ver o mesmo personagem discursando como fez na quarta-feira. Imagine se fosse alguém mais polêmico abraçando um bolo de torcedores como fez no ano passado. Haveria tanta compreensão, tanta tolerância com o ato nada responsável?

Procurada pelo blog, a assessoria de imprensa do América respondeu: "Lisca nos indicou que não irá mais se pronunciar sobre as declarações de ontem (quarta-feira) no pré e pós jogo".

Insistimos, destacando que a pergunta não era sobre o que disse na quarta, mas a respeito do comportamento dele em 2020. A assessoria americana reiterou que o treinador a ela indicou: não irá mais comentar o tema.

Por mais que a situação seja muito preocupante no país, que o governo federal tenha responsabilidade no caos, tratar Lisca como porta-voz da sensatez não faz sentido. É coisa de doido. Ou de quem "defende vidas" pensando apenas em política. Seja lá de que lado for.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL