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Mauro Cezar Pereira

São-paulinos ainda não digeriram Ceni no Fla. Sim, é hora de "desapegar"

Rogério Ceni e Bruno Henrique, em duelo do Flamengo com o Bahia, vencido pelos rubro-negros - Alexandre Vidal / Flamengo
Rogério Ceni e Bruno Henrique, em duelo do Flamengo com o Bahia, vencido pelos rubro-negros Imagem: Alexandre Vidal / Flamengo
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

22/12/2020 10h04

Tricolores aconselhando outros são-paulinos na rede social a "desapegar" de quem deles "desapegou". Questionamentos sobre um (pasmém) desrespeito de um técnico contra seu ex-clube dos tempos de jogador, por ter questionado a escalação de árbitro de determinado Estado em peleja de sua equipe.

A ida de Rogério Ceni para o Fortaleza não incomodou, afinal, o Leão do Pici estava na Série B do Campeonato Brasileiro naquela época. Quando o ex-goleiro passou pelo Cruzeiro, não houve muita gritaria, pois o time mineiro lutava contra o (inevitável) rebaixamento para a segunda divisão nacional.

Mas a mudança do ídolo para o Flamengo, atual campeão brasileiro e da Copa Libertadores, não está sendo digerida por parte da torcida tricolor. E é fácil entender o que motiva tanta mágoa: os rubro-negros são os principais adversários dos são-paulinos, líderes do certame nacional.

Telê Santana no São Paulo - Arquivo Folhapress - Arquivo Folhapress
Telê Santana no São Paulo: ídolo como técnico sem jamais ter jogado pelo clube
Imagem: Arquivo Folhapress

Ceni virou rival. Mas isso não deveria surpreender. Era evidente que em algum momento assumiria o comando de um clube grande com bom elenco que duelaria com o São Paulo. Perdeu nos jogos que resultaram na eliminação da Copa do Brasil. Mas segue a perseguir o primeiro colocado da Série A.

Quando decidiu ser treinador no Brasil, essa situação passou a ser inevitável. A questão era: quando e como? Já está acontecendo. As declarações de Ceni após Flamengo 4 x 3 Bahia geraram debates. Ele falou sobre arbitragem paulista em jogo de seu time, enquanto os são-paulinos defendem a ponta ante a aproximação do seu time.

"Acho que você joga uma pressão trazer um árbitro de São Paulo sendo que seu principal concorrente é um time paulista. Não seria um bom senso colocar um árbitro de outro estado, um bom árbitro?", questionou após a virada rubro-negra no Rio de Janeiro.

Telê Santana: o "Fio de Esperança" no Fluminense - Reprodução - Reprodução
Telê Santana: o "Fio de Esperança" no Fluminense
Imagem: Reprodução

Obviamente não custaria à CBF evitar apitadores cariocas em pelejas do São Paulo pela Série A e não colocar os paulistas em cotejos do Flamengo. A própria situação já multiplica a pressão sobre a arbitragem. Quem garante que nenhum deles irá a campo com receio de perda de espaço se errar a favor do time que duela com aquele que pertence à sua federação?

A observação de Rogério Ceni foi natural, em nada desrespeitou o São Paulo, onde atualmente ele não trabalha. Queriam o que? Ver o ídolo (ou já seria ex?) falando prioritariamente pelo time que defendeu, em detrimento daquele que hoje lhe emprega e paga salários? Isso seria profissional?

Um devaneio pueril. Quando ele foi demitido pelo São Paulo, sua saída foi tratada como deveria, com profissionalismo e certa naturalidade, além das críticas de quem considerava a decisão da diretoria injusta. Pessoas são contratadas e demitidas, pedem demissão, etc. Também é assim no futebol.

Ao fazer a opção pela carreira de técnico no país, Rogério "avisou" aos seus seguidores tricolores de décadas que, cedo ou tarde, deles seria adversário. E hoje ele é. Por mais duro que seja ver o atleta que tanto reverenciou com outra camisa, o torcedor terá que a isso se habituar.

Como Telê Santana foi histórico jogador do Fluminense, o "Fio de Esperança" e treinou vários outros times de futebol pelo Brasil. Entre eles o São Paulo, onde nunca atuou como atleta, se identificou, foi vencedor e até hoje segue sendo reverenciado como nenhum outro treinador do clube.

Rogério Ceni renunciou a parte da idolatria que ele mesmo construiu em nome de uma nova carreira no futebol. Abriu mão da condição de ídolo máximo e isso está na cara há pelo menos três anos. Nesse contexto, melhor seguir o conselho de são-paulino para são-paulino que li em rede social: desapeguem!

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