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Mauro Cezar Pereira

"Não" de Ramírez frustra base do Palmeiras, incapaz de olhar para ele mesmo

Miguel Ángel Ramírez, técnico do Del Valle: segundo estrangeiro a recusar proposta palmeirense em menos de um ano - Divulgação
Miguel Ángel Ramírez, técnico do Del Valle: segundo estrangeiro a recusar proposta palmeirense em menos de um ano Imagem: Divulgação
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

21/10/2020 16h09

O desânimo se abateu sobre profissionais do futebol de base do Palmeiras com a confirmação de que Miguel Ángel Ramírez rejeitou a proposta do clube e não será o substituto de Vanderlei Luxemburgo. Enquanto o time profissional passava os últimos anos preso às velhas ideias de técnicos conectados com o passado, os garotos vêm sendo treinados com conceitos bem diferentes.

Frustrante, porque Ramírez seria um profissional capaz de olhar para a base e encontrar identificação com o que lá vem sendo feito, ou mesmo sintonizar esses conceitos aos dele. O distanciamento entre os dirigentes que tomam decisões no profissional fica claro em momentos assim.

Na imprensa, leem que o Palmeiras procura seu "DNA futebolístico", em clara demonstração da falta de ideias, conceitos, conteúdo que impera no clube. Enquanto isso, o estilo desenvolvido na base, com identidade, competitividade e resultados, mostra que está em casa aquilo que procuram.

Em tese, Ramírez seria o homem certo para mergulhar na base palmeirense, detectar talentos, ajudar a aprimora-los e colocar na mesma frequência o estilo de jogo dos meninos aos adultos. De maneira que jogadores feitos em casa pudessem ser ainda mais bem aproveitados no elenco profissional.

A presença de garotos formados no Palmeiras no time principal, uma decisão do clube, forçada por uma mudança no cenário financeiro e executada por Vanderlei Luxemburgo, tem as digitais dos profissionais de base. Gente que formou Patrick de Paula, Gabriel Menino e Veron, por exemplo.

Jovens bem treinados que chegaram ao elenco de cima e não sofreram com a adaptação. Acham que se encaixaram tão bem por qual motivo? E isso ocorreu em função da boa formação, muitas vezes ignorada pelo comando de um clube que por anos praticamente só olhou para fora, para o mercado, em inúmeras contratações, várias questionáveis.

Os cartolas seguem absolutamente perdidos, colecionando "nãos", antes de Jorge Sampaoli, agora de Miguel Ángel Ramírez, procurando o tal "DNA", sem perceber que ele está dentro do próprio Palmeiras. Não apenas nos pés dos talentosos garotos que chegam ao time de cima, mas também nas mentes daqueles que os prepararam para isso.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL