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Mauro Cezar Pereira

Advogados de famílias dos meninos mortos no CT irão à justiça após e-mails

E-mail sobre o CT Ninho do Urubu - Reprodução
E-mail sobre o CT Ninho do Urubu Imagem: Reprodução
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

09/09/2020 12h25

Reportagem de Léo Burlá e Pedro Ivo Almeida no UOL Esporte revela: e-mails trocados em 2018 deixam claro que pessoas na época em funções no Flamengo sabiam de riscos oferecidos pelas instalações elétricas do Ninho do Urubu. As mensagens vêm desde 11 de maio de 2018, ou seja, 273 dias antes do incêndio no CT que matou dez meninos das divisões de base do clube devido a um curto-circuito em aparelho de ar-condicionado.

O blog entrou em contato com advogados das famílias dos garotos mortos naquele 8 de fevereiro de 2019, que planejam lutar ainda mais na justiça diante dessa revelação. "Esperamos que haja justiça na esfera criminal, com a condenação dos ir(responsáveis). Acreditamos que o Ministério Público tomará as medidas cabíveis diante de tais provas, disse Paula Wolf, advogada da família de Jorge Eduardo.

"Acredito que no aspecto criminal, a situação se complica em demasia. Vou conversar com Darlei e Dona Jô para tomarmos uma decisão", adianta Thiago Divanenko, citando os pais do goleiro Bernardo Pisetta. Ele também representa a família do atacante Vítor Isaías.

"Na minha visão essa é apenas mais uma confirmação da omissão. É responsabilidade do clube. Mesmo não havendo uma conclusão final do inquérito. É um absurdo a forma como o clube tem tratado o caso, bem como as famílias. Não teremos alternativa a não ser buscar a reparação perante a justiça por meio de ações indenizatórias", antecipa Alexandre Soares, advogado de Marília, mãe de Arthur.

"Essas notícias só vêm corroborar aquilo que já prevíamos. E agora a conclusão do inquérito será de grande valia, pois essas mensagens só mostram o quanto a responsabilidade do clube é grande. Estamos fazendo a ação com calma e aguardando o inquérito. Mas essas notícias de certo modo já eram sabidas, só não existiam essas provas, pois na sessão na Assembleia Legislativa vimos o quanto a gestão atual quis condenar a gestão do (Eduardo) Bandeira (de Mello, presidente até dezembro de 2018). Mas só corrobora que ambas tinham ciência", afirma Arley Campos, que advoga para as famílias do goleiro Christian Esmério e do sobrevivente Jean Salles.

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro enviou resposta ao blog após tomar ciência da reportagem: "Os e-mails mostram que os representantes do Flamengo (em especial o gerente e o diretor responsáveis pela administração do CT) tinham ciência, desde maio de 2018, das gambiarras nas instalações elétricas do alojamento da base, tendo o gerente dito que as instalações foram feitas "no esquema 'faça-de-qualquer-jeito". Os e-mails também comprovam que eles sabiam do risco de vida a que estavam submetendo os adolescentes que ali dormiam, e nada fizeram para evitar a morte de 10 jovens, e as lesões em tantos outros. Esses documentos são a prova inconteste da responsabilidade do clube, e serão anexados à ação coletiva. A Defensoria Pública continuará buscando a reparação integral dos danos causados pela tragédia no Ninho do Urubu."

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